04:53 29 Fevereiro 2020
Ouvir Rádio
    Oriente Médio e África
    URL curta
    Crueldades do Daesh (33)
    405
    Nos siga no

    Moradores das cidades sírias de Al Fuah e Kafarya começaram a morrer de fome e falta de medicamentos, com mais de 20 mil civis completamente cercados.

    Um correspondente da agência RIA Novosti conseguiu se reunir com o representante do Conselho Popular das cidades sitiadas, que relatou os detalhes da catástrofe humanitária em Al Fuah e Kafarya na província de Idlib, no norte da Síria.

    Habitantes de Kafarya
    © Sputnik / Michael Alaeddin
    Habitantes de Kafarya

    Firmeza das cidades sírias

    "Nos comunicamos muito raramente com o nosso povo. Não há comunicações – recebemos informações só através dos nossos próprios canais, muitas vezes através de suborno e do uso de caminhos secretos", diz o representante do Conselho, que conseguiu sair e agora está lutando contra os militantes para romper o cerco.

    As cidades cercadas de Al Fuah e Kafarya
    © Sputnik / Michael Alaeddin
    As cidades cercadas de Al Fuah e Kafarya

    Os terroristas assaltaram Al Fuah pela última vez em 2012. Eles tentaram romper a linha de defesa com veículos blindados de infantaria juntamente com milhares de terroristas. Os defensores da cidade conseguiram defender suas casas e salvar as vidas dos cidadãos. Desde então, eles estão vivendo cercados.

    "Eles nos veem (aos xiitas) como apóstatas do Islã que devem morrer. Se tomarem Al Fuah e Kafarya, eles executarão todos os moradores porque não são sunitas", relata o homem.

    O mundo não quer saber de Al Fuah e Kafarya

    Internacionalmente, toda a atenção está atraída para a situação humanitária na cidade de Aleppo, onde se aperta o círculo em torno dos bairros orientais, capturados por militantes. No território controlado por terroristas vivem 200-300 mil civis. A última vez que o Crescente Vermelho sírio foi capaz de entregar ajuda humanitária aos civis foi no final de julho.

    "Em Fuah e Kafarya o povo está perdendo toda a esperança. Em Aleppo até a internet funciona, eles estão sob cerco há um mês e todos estão preocupados. O nosso povo está cercado há mais de três anos e ninguém se importa. Não posso entender porque a ONU e o Ocidente não levantam a questão da assistência para a nossa cidade? Será que não nos consideram seres humanos?", exclamou o ex-morador da Al Fuah ao correspondente da agência RIA Novosti.

    A esperança se esfuma

    Segundo a fonte, não há medicamentos nas cidades. "Não há mesmo as coisas básicas, como para tratar apenas um arranhão. Por causa de envenenamento do sangue, as pequenas feridas de estilhaços apodrecem e pessoas saudáveis morrem daquilo", explica Amir.

    Médicos russos fazem consultas a residentes da cidade de Kaukab durante a distribuição de ajuda humanitária russa
    © Sputnik / Maksim Blinov
    Médicos russos fazem consultas a residentes da cidade de Kaukab durante a distribuição de ajuda humanitária russa

    "Em Fuah e Kefraya durante o cerco morreram 2,2 mil pessoas, incluindo 400 crianças e 850 mulheres. Foram feridas 4,5 mil pessoas, todas elas poderão morrer se não forem tomadas medidas urgentes.", disse o sírio.

    "Comem uma vez por dia, muitas crianças não se lembram o que são frutos e legumes, há uma forte escassez de água potável", relata o representante do Conselho Popular das cidades sitiadas.

    Crianças das cidades cercadas de Al Fuah e Kafarya
    © Sputnik / Michael Alaeddin
    Crianças das cidades cercadas de Al Fuah e Kafarya

    Os civis hoje têm uma escolha: morrer lenta e dolorosamente ou viver para ver o dia em que o bloqueio será furado e a ajuda chegar. A esperança de que a segunda situação aconteça é menor a cada dia que passa.

    Tema:
    Crueldades do Daesh (33)

    Mais:

    Militares russos entregam 12 toneladas de ajuda humanitária na Síria
    Rússia registra seis violações do regime de cessar-fogo na Síria
    Clinton quer intensificar operação aérea dos EUA na Síria
    Tags:
    catástrofe, ajuda humanitária, Síria, Rússia
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar