13:42 17 Abril 2021
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    Situação com coronavírus no Brasil em meados de março de 2021 (116)
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    Enquanto o Brasil vem batendo recordes seguidos de mortes pela COVID-19, a crise sanitária desencadeia inúmeras crises para além da saúde nas comunidades mais pobres e escancara desigualdade social no país.

    Uma pesquisa realizada pela Central Única das Favelas (CUFA), realizada com pessoas de 76 favelas do país, mostrou que cerca de 68% dos moradores não têm dinheiro para comprar comida. De acordo com o estudo, o agravamento da fome nas favelas tem como causa o alto índice de desemprego nestas comunidades.

    Em entrevista à Sputnik Brasil, o diretor executivo da ONG Ação da Cidadania, Kiko Afonso, afirmou que a pandemia da COVID-19 gera um impacto nas favelas "absolutamente assustador" e criticou a falta de uma coordenação nacional no combate à crise sanitária.

    De acordo com ele, tem crescido significativamente o número de pessoas saindo da formalidade "e isso tem aumentado a pobreza cada vez mais" nas regiões mais carentes. "Quando veio a COVID-19 isso foi muito mais devastador", acrescentou.

    Comércio fechado na região central de São Paulo em meio à pandemia da COVID-19.
    © Foto / Rovena Rosa/Agência Brasil
    Comércio fechado na região central de São Paulo em meio à pandemia da COVID-19.

    A pesquisa da Central Única de Favelas mostrou que o número de refeições diárias das famílias que moram em favelas caiu para 1,9 por dia. Em agosto de 2020, o índice de refeições por dia era de 2,4 nessas comunidades.

    "O processo de lockdown, de vacina, tinha que ter sido feita de forma coordenada, pensando em todos os aspectos, através de uma articulação nacional. E quando isso não é feito, cada um tenta fazer à sua maneira; os governadores e prefeitos querem fazer lockdown porque está aumentando o número de pessoas se internando e morrendo, mas como vai dizer isso para uma pessoa que não tem dinheiro para comer?", afirmou o especialista.

    Kiko Afonso destacou que o trabalho informal e a necessidade de combater a fome é a realidade de muitas pessoas das classes mais baixas da população e "não se ofereceu nenhuma alternativa". Para ele, o "breve respiro" que se deu foi durante o fornecimento do auxílio emergencial no ano passado, quando o governo conseguiu entregar um auxílio emergencial de R$ 600.

    Movimentação em agência da Caixa Econômica Federal, no centro de São Paulo, para saque da última parcela do auxílio emergencial
    © Folhapress / Renato S. Cerqueira/Futura Press
    Movimentação em agência da Caixa Econômica Federal, no centro de São Paulo, para saque da última parcela do auxílio emergencial

    "Isso conseguiu reduzir a quantidade de pessoas [em situação de pobreza], conseguiu dar um alento a essas famílias para se manter em casa, porque não dá simplesmente pedir para uma pessoa que não tem o que comer 'olha, você vai ter que ficar em casa durante um mês'. Essa pessoa morre", disse o diretor da ONG.

    "O impacto é gravíssimo, porque as pessoas dessas comunidades não têm alternativa, elas precisam se locomover, elas precisam trabalhar para sobreviver sem auxílio. E agora com esse auxílio ridículo que foi oferecido, nada vai mudar", acrescentou.

    O diretor-executivo da Ação da Cidadania, entidade de combate à fome no Brasil, observou que a questão da segurança alimentar já vinha se agravando nos últimos anos e a pandemia da COVID-19 "só piora uma situação que já estava em descendente".

    Em 2014, o Brasil saiu oficialmente do Mapa da Fome, uma lista de países que têm 5% ou mais da população em segurança alimentar grave. Em setembro de 2020, o IBGE divulgou uma pesquisa que mostrava que o Brasil já havia entrado de volta ao Mapa da Fome em 2018.

    "A pesquisa mostra que 85 milhões de brasileiros em algum grau de insegurança alimentar no Brasil em 2018 [...] É óbvio que esse agravamento da crise sanitária após o auxílio emergencial no final do ano vai ser muito grave. A gente já estima tranquilamente que a gente vai passar dos 100 milhões de brasileiros em algum grau de insegurança alimentar em 2021", afirmou Kiko Afonso.

    ​De acordo com o diretor-executivo da ONG Ação da Cidadania, para combater o avanço da pobreza e da fome no Brasil, é necessário que o governo federal adote uma ação coordenada para lidar com a pandemia, através do investimento no SUS, do fornecimento de um auxílio emergencial mais robusto. Ele ressaltou, no entanto, que essas medidas devem considerar as disparidades sociais existentes no Brasil.

    "É preciso que todo mundo fique em casa, é preciso investir no SUS, mas é preciso dar condições para as famílias mais humildes para elas poderem ficar em casa, porque elas não têm essa condição de trabalhar de home office, elas não conseguem sobreviver", afirmou o diretor-executivo da Ação da Cidadania.

    "E a situação vai piorar antes de começar a melhorar, porque o auxílio é muito pouco, as doações da sociedade civil diminuíram muito, e o governo não está ajudando; no ano passado teve um esforço muito grande da sociedade civil e do setor privado para ajudar. Esse ano já não tem mais esse fôlego [...] A gente está literalmente em uma situação de pré-colapso. A gente não vê em um curto prazo nenhuma solução", completou.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    combate à fome, Mapa da Fome, fome, auxílio, pobreza, novo coronavírus, Brasil, COVID-19
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