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Brasil entrou 'desequilibrado' na crise e precisa 'mudar muita coisa de uma só vez', diz economista

© Foto / Agência Brasil/Antônio CruzBanco Central do Brasil (arquivo)
Banco Central do Brasil (arquivo) - Sputnik Brasil
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O Brasil está apresentando sinais de recuperação econômica mais rápida entre países emergentes, segundo o presidente do Banco Central brasileiro, Roberto Campos Neto. Sobre isso, a Sputnik Brasil ouviu o economista-chefe do Banco Digital Modalmais, que acredita que o país precisa de mudanças profundas na economia.

Conforme publicou o site da revista Veja, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, declarou, durante palestra virtual na quarta-feira (19) para investidores do Bank of America, que o Brasil está em melhores condições do que outros países emergentes na recuperação econômica pós-pandemia.

Campos Neto, ainda segundo a revista, atribuiu a situação às medidas tanto do Banco Central quanto do Ministério da Economia, citando ações como a transferência direta de renda do auxílio emergencial e o impulso ao crédito para empresas.

Para Álvaro Bandeira, economista-chefe do Banco Digital Modalmais, a avaliação do presidente do Banco Central é correta, mas o problema da economia vem de antes da pandemia.

"Na minha opinião, o problema não está nos ajustes pós-crise. Lembramos que entramos mais desequilibrados nessa crise, com a relação dívida-PIB do Brasil em 75% - quando na de países emergentes o ideal era na faixa de 50% -, com a economia já começando a desacelerar e necessitando fazer grandes reformas e ajustes na economia. Consequentemente, vamos ter que mudar muita coisa de uma só vez no pós-crise, no pós-pandemia", afirma o economista em entrevista à Sputnik Brasil.

Bandeira aponta que apesar de uma situação melhor que alguns países emergentes, o Brasil não pode se enxergar em uma "zona de conforto", como parece sugerir a fala do presidente do Banco Central aos investidores do Bank of America.

"A gente está longe da zona de conforto sugerida, muito embora as expectativas estejam melhorando. Como eu disse, vamos ter que ajustar o déficit primário, vamos ter que reduzir, privatizar empresas, colocar marcos regulatórios e muito mais, tudo isso de uma vez só", avalia o economista.

Brasil precisa de medidas para atrair investimentos, diz economista

As projeções de crescimento econômico para 2020 no Brasil são negativas. Segundo o mais recente relatório de mercado do Banco Central, Focus, publicado na segunda-feira (17), o PIB brasileiro deve registrar queda de 5,52% no final do ano.

© REUTERS / Adriano MachadoPresidente Jair Bolsonaro observa o ministro da Economia Paulo Guedes, durante lançamento de programa de acesso ao crédito, em Brasília, 19 de agosto de 2020
Brasil entrou 'desequilibrado' na crise e precisa 'mudar muita coisa de uma só vez', diz economista - Sputnik Brasil
Presidente Jair Bolsonaro observa o ministro da Economia Paulo Guedes, durante lançamento de programa de acesso ao crédito, em Brasília, 19 de agosto de 2020

A projeção do economista Álvaro Bandeira é ligeiramente mais otimista, e projeta retração de 5,2% no PIB brasileiro. O membro do Banco Digital Modalmais, aponta, porém, que espera melhoras nos dois últimos trimestres de 2020, mas reforça a necessidade de mudanças e reformas para garantir o crescimento após esse período.

"O governo, na minha visão, tem que endereçar claramente o que fará no pós-crise para atrair investimentos. O Brasil precisa fazer muitos investimentos. A relação investimento-PIB é muito baixa, a gente precisa melhorar isso tudo, e só será possível fazendo esses ajustes na economia", aponta o economista.
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