02:52 08 Maio 2021
Ouvir Rádio
    Análise
    URL curta
    859
    Nos siga no

    O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse no dia 22 de julho que o Congresso estaria maduro para votar o texto que dá autonomia ao banco.

    Atualmente o Banco Central subordina-se à Presidência da República e tem seus mandatos designados pelo Palácio do Planalto. Se for aprovado o projeto em tramitação no Congresso, o BC teria autonomia para executar suas políticas econômicas sem supostamente sofrer interferência do Executivo.

    Em entrevista à Sputnik Brasil, Marcel Balassiano, pesquisador da área de economia aplicada da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro e do IBRE (Instituto Brasileiro de Economia), disse que a medida ajuda a tirar o peso político da condução da política monetária.

    "A grande questão da autonomia do Banco Central é basicamente para se tirar 'o peso político e do ciclo político da condução da política monetária. [...] Com mandatos não coincidentes com o do presidente da República você diminui uma possível interferência política do presidente no Banco Central", defendeu.

    Na mesma linha de raciocínio, o economista Milton Pignatari, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, disse que a autonomia traria uma maior credibilidade à política econômica.

    "Essa autonomia traria uma maior credibilidade principalmente com relação às políticas monetárias que estão sendo adotadas como a emissão de dinheiro, a própria estrutura com relação aos bancos, com os créditos, com as vinculações, isso tudo seria sem dúvida uma das coisas que representaria em termos dessa mudança", afirmou à Sputnik Brasil.

    Marcel Balassiano acredita que há clima no Congresso Nacional para aprovação da medida.

    "Não é uma medida tão polêmica ou difícil de ser aprovada como foi uma Reforma da Previdência ou Tributária, acho que a sociedade avançou bastante nesses últimos tempos e com certeza não é uma das medidas mais difíceis de serem aprovadas. Se há clima político no Congresso ou não, essa pergunta é bastante complicada, mas eu acho que têm chances de passar essa medida sim", acredita.

    Apesar do otimismo com a medida, Milton Pignatari pede cautela e diz que não devemos "superestimar" a possível autonomia do Banco Central.

    "A gente não pode superestimar essa autonomia do Banco Central como uma solução para todos os problemas do mundo. A gente ainda vai depender de suporte político para adotar as políticas, do controle das inflações dos níveis desejados, na utilização das políticas monetárias e fiscal, de uma maneira que uma estabilidade dos preços consiga atuar. Então só a autonomia do Banco Central não é um fator fundamental para que a gente resolva todas as estruturas econômicas", completou.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Mais:

    Banco Central anuncia lançamento da nota de R$ 200 em agosto
    Queda do PIB no Brasil sofre nova redução e é projetada em 5,62%, informa Banco Central
    Tendência é que Banco Central mantenha redução da Selic ao longo do ano, diz economista
    Banco Central tenta estimular economia real ao baixar Selic, diz economista
    Copom cita necessidade 'extraordinariamente elevada' de estímulo e reduz a taxa de juros
    Taxa de juros brasileira está próxima do limite, diz Banco Central
    Tags:
    taxa de juros, inflação, economia, autonomia, Brasil, Banco Central
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar