05:53 04 Agosto 2020
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    Para apoiar a economia após a pandemia, a Reserva Federal dos EUA (FED, na sigla em inglês) anunciou uma compra de ativos sem precedentes no fim de março.

    A medida ajudou durante a crise. Contudo, analistas advertem que o excesso de liquidez acabará inflamando outra bolha que poderia estourar e fazer com que todos os mercados entrem em colapso.

    Para tranquilizar os investidores, a FED reduziu a taxa de juros duas vezes em março, até 0 - 0,25% anual. O regulador também lançou um programa para comprar títulos do Tesouro dos EUA por US$ 500 bilhões (R$ 2,47 trilhões) e ativos respaldados por hipotecas por US$ 200 bilhões (R$ 989 bilhões).

    Estes métodos foram utilizados há dez anos, durante a crise financeira mundial, observa Natalia Dembinskaya, colunista da Sputnik.

    No final de março, a FED anunciou que compraria tantos ativos do mercado quantos fossem necessários. O regulador também lançou vários novos programas de empréstimos.

    As medidas estabilizaram a situação: o mercado de ações cresceu. Desde os valores mínimos de 23 de março, o índice S&P 500 subiu mais de 40%.

    No entanto, economistas se mostram preocupados. Em meio à pandemia, a economia está em queda livre (no segundo trimestre, o PIB norte-americano teria caído 40% e o desemprego subido 25%), mas o mercado de ações está crescendo. Obviamente os investimentos da Reserva Federal estão dando aos investidores falsas esperanças, observa Dembinskaya.

    "A relação de custo-benefício superaria os níveis da bolha tecnológica de 2000", advertiu Joseph Carson, ex-economista-chefe da empresa de investimentos AllianceBerstein.

    "A brecha entre os mercados e as realidades econômicas nunca foi tão grande", salientou, por sua vez, Matt King, chefe de estratégia de crédito global da Citogroup.

    O gasto total da FED para apoiar a economia e os mercados alcançou 30% do PIB.

    Enquanto isso, no primeiro trimestre, as empresas norte-americanas informaram uma desvalorização recorde de seus lucros até os valores da crise de 2009. No segundo trimestre, a situação irá se deteriorar ainda mais devido ao colapso das vendas e os volumes de produção em meio à pandemia do coronavírus, avalia Dembinskaya.

    Cadáver de paciente morto pelo coronavírus sendo levado para um caminhão em Nova York, nos EUA
    © AP Photo / John Minchillo
    Cadáver de paciente morto pelo coronavírus sendo levado para um caminhão em Nova York, nos EUA

    As expectativas de que a política de estímulo da Reserva Federal e a excessiva liquidez no mercado melhorariam a solvência das empresas não foram confirmadas. Assim que os investidores se deem conta da escala do impacto nos ganhos corporativos, o mercado de valores cairá, analisa a colunista.

    Além do mais, o regulador financeiro prometeu comprar obrigações de empresas de alto rendimento, ou seja, valores com alto risco de insolvência.

    "As manipulações do regulador norte-americano podem custar muito para a economia mundial. Os fundos e os atores do mercado de valores perderam a oportunidade de apostar em baixa, o que ameaça com o colapso do mercado de ações dos EUA, e, portanto, todos os demais", conclui a colunista.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    COVID-19, novo coronavírus, economia mundial, EUA, FED, Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos, economia
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