19:45 12 Julho 2020
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    Ao menos 40 cidades dos EUA impuseram toque de recolher para conter os violentos protestos desencadeados pelo assassinato de George Floyd.

    Segundo o analista Patricio Zamora em entrevista concedida à Sputnik Mundo, a revolta é uma "resposta à grande tensão socioeconômica pela gestão desastrosa de Trump da crise da COVID-19". Além do mais, o analista assegurou que existem mais de quatro mil pessoas detidas.

    Os protestos pelo assassinato do afro-americano George Floyd se intensificaram neste fim de semana e chegaram inclusive às portas da Casa Branca.

    Consequentemente, ao menos 40 cidades norte-americanas decretaram toque de recolher, "afetando 50 milhões de norte-americanos", explicou Patricio Zamorano, analista internacional e diretor-executivo da consultoria InfoAmerica.

    Além de possuírem um caráter antirracista, Zamorano assegurou que os protestos expressam "a grande tensão socioeconômica" provocada pela gestão "desastrosa" que o governo de Donald Trump está executando em relação à crise do coronavírus.

    "Há de 30 milhões a 40 milhões de pessoas desempregadas e uma situação de fome que começa a ser sentida nas cidades, inclusive entre a classe média. A situação é crítica: pessoas de classe média e baixa fazem filas por horas por um prato de comida", agregou.

    Trump criticou o movimento Antifa (antifascismo), o acusando de ter organizado os protestos e o colocando na lista de grupos terroristas. "Se trata de uma manipulação: esta não é uma onda de protestos organizada pelo Antifa", afirmou o especialista.

    Manifestantes são detidos pela polícia por participar de protesto pela morte de George Floyd, em Minneapolis, Minnesota, EUA, 31 de maio de 2020
    © REUTERS / Lucas Jackson
    Manifestantes são detidos pela polícia por participar de protesto pela morte de George Floyd, em Minneapolis, Minnesota, EUA, 31 de maio de 2020

    "Este grupo de esquerda progressista tem como objetivo enfrentar nas ruas os grupos supremacistas brancos. Acusá-los dos protestos provocados pelo mal-estar social é uma estratégia de comunicação de Trump para minimizar a verdadeira razão dos protestos", comenta Zamorano.

    O analista salientou a hipocrisia do presidente dos EUA ao recordar que "há duas semanas havia grupos supremacistas brancos protestando contra o isolamento social e estas manifestações organizadas por grupos de extrema-direita foram comemoradas por Trump".

    De acordo com Zamorano, "existem mais de 320 milhões de armas privadas nos EUA e existem muitos grupos armados e milícias com treinamento militar", motivo pelo qual "se a crise do coronavírus seguir sua má administração, pode haver o transbordamento da violência".

    Por outro lado, comentou que Trump se vê impedido de fazer campanha para reeleição em novembro e está sendo "prejudicado pelas sondagens".

    Seu adversário democrata, Joe Biden, não pôde capitalizar seu apoio, mas tem uma vantagem de dois a cinco por cento".

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    novo coronavírus, COVID-19, Donald Trump, violência, racismo, protestos, EUA
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