15:33 09 Agosto 2020
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    Na Argentina a fuga de capitais é um "esporte nacional", as crises da dívida externa e fuga de dólares se repetem com frequência ao longo dos anos.

    Desde os anos oitenta, quando na América Latina ocorreram crises das dívidas externas, a Argentina já passou por diversos episódios críticos, como em 1982, com a Guerra das Malvinas e a dívida adquirida durante o governo Macri (2015-2019).

    Cada crise levou, primeiramente, a um ingresso de dólares para alimentar o frenesi especulativo, para então financiar uma fuga de capitais.

    Nota de peso argentino em homenagem às ilhas Malvinas
    © Sputnik / Francisco Lucotti
    Nota de peso argentino em homenagem às ilhas Malvinas

    Em cada um desses momentos dramáticos da economia argentina foram criadas comissões para identificar o que ocorreu com os valores da dívida. Na última, entre dezembro de 2015 e setembro de 2019, o aumento líquido da dívida pública em moeda estrangeira foi exponencial, em paralelo com uma fuga de dólares de US$ 93,6 bilhões (R$ 423 bilhões), segundo um informe do Centro de Pesquisa e Investigação da República Argentina (CIFRA) e Central de Trabalhadores da Argentina (CTA).

    Discurso

    O traço principal do ciclo de endividamento mais recente foi que não serviu somente para aumentar o nível da atividade econômica, mas sim para financiar a fuga de capitais.

    Os dólares que deveriam ser usados para financiar o desenvolvimento produtivo foram usados em uma impressionante bolha especulativa, terminando em uma fuga desse dinheiro do país.

    Alberto Fernández, atual presidente argentino, levantou três pontos sobre a questão:

    Entre os desafios de curto prazo, se encontram a necessidade de colocar fim na especulação financeira, reduzindo a taxa de juros de referência do Banco Central, que já baixou de 63% para 40%, assim como avançar no difícil processo de renegociação da dívida para reduzir a "brecha externa". Ou seja, a disponibilidade de dólares.

    Correlação

    O problema não é somente a magnitude da saída de capitais ao exterior e seu impacto na economia doméstica. Afinal, a saída de capitais do sistema financeiro não é ilegal.

    A questão principal é que nem o Estado, nem o Banco Central da Argentina, nem os bancos aplicam adequadamente as medidas de controle dos capitais que fogem do país. Cada investigação atualmente em curso no país sul-americano revela o estreito grau de correlação ente a fuga de capitais e a concentração do mesmo.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    crise econômica, Dólar, economia, Argentina
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