01:14 21 Fevereiro 2020
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    Escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro para representar o país no Fórum Econômico Mundial, na Suíça, o ministro Paulo Guedes manteve o Brasil envolvido em polêmicas ao opinar sobre o meio ambiente.

    Um ano após a polêmica participação de Jair Bolsonaro no Fórum Econômico Mundial, o presidente brasileiro decidiu enviar o seu ministro da Economia, Paulo Guedes, para representá-lo na atual edição, que teve início hoje, em Davos, e segue até a próxima sexta-feira (24). 

    ​Assim como em 2019, o evento deste ano se dá em meio a uma série de assuntos delicados envolvendo o Brasil, principalmente os ligados ao meio ambiente e à desigualdade. Ao todo, são sete os temas principais: Como Salvar o Planeta, Economias mais Justas, Futuros Saudáveis, Tecnologia para o Bem, Negócios Melhores, Sociedade e Futuro do Trabalho e Além da Geopolítica.

    Em discurso realizado nesta terça-feira, durante um painel do fórum, o ministro da Economia do Brasil abordou uma das questões mais espinhosas para o atual governo, a ambiental, culpando a pobreza pela degradação da natureza. Na ocasião, Paulo Guedes disse que os pobres estariam destruindo o meio ambiente por "fome". 

    A declaração, rapidamente, foi objeto de profundas críticas por parte de opositores e especialistas, segundo os quais o ministro estaria tentando tirar a responsabilidade das grandes corporações e da própria administração federal pelos grandes problemas ambientais do Brasil atual, que têm chamado a atenção de ativistas e governos em várias partes do mundo. 

    ​Bolsonaro, que já afirmou mais de uma vez não entender de economia, decidiu cancelar sua ida a Davos no início deste mês, alegando "aspectos econômicos, de segurança, políticos, e o somatório desses aspectos", segundo seu porta-voz. Em resumo, os aspectos que levaram a essa decisão podem ser entendidos como uma tentativa de evitar uma maior exposição do presidente no cenário internacional após ter sua imagem manchada por uma série de polêmicas ao longo de 2019, acredita o cientista político Guilherme Carvalhido, professor da Universidade Veiga de Almeida (UVA).

    "Ali, em Davos, ele não seria questionado somente sobre economia. Ele seria questionado em relação às suas políticas, principalmente em relação à questão ambiental. E ele, por uma razão política, razão de confrontamento político, evitou que isso acontecesse", disse o acadêmico em entrevista à Sputnik Brasil. 

    Para Carvalhido, a presença de Jair Bolsonaro na Suíça poderia abrir discussões que, eventualmente, levariam o presidente a um desgaste ainda maior com a comunidade internacional, "visto que tem muitos países, principalmente a comunidade europeia, que são contrários às posições" do atual governo brasileiro. 

    "O Brasil é um país bastante importante, tem muita gente interessada no Brasil, em investir no Brasil, em entender o Brasil, principalmente porque há uma política do governo Bolsonaro de liberalizar, através de sua estrutura econômica, o acesso de países ao Brasil. Muita gente está interessada. Mas há outros posicionamentos que levam ao questionamento da posição de Bolsonaro", afirmou o especialista, citando como exemplo, além da questão ambiental, a simpatia do presidente pela ditadura militar brasileira.

    'Já falei que não entendia de economia?'

    Em meados do ano passado, o chefe de Estado brasileiro arrancou risos e preocupações ao falar, mais uma vez, sobre seus desconhecimentos da área econômica e de sua confiança total no funcionário do governo escolhido para cuidar desse assunto: 

    "Já falei que não entendia de economia? Quem entendia afundou o Brasil, eu confio 100% na economia do Paulo Guedes", afirmou o presidente na época, ao ser questionado por jornalistas sobre projeções de crescimento.

    De acordo com o professor da Universidade Veiga de Almeida ouvido pela Sputnik, embora esse argumento possa, por um lado, dar uma certa "blindagem" a Bolsonaro, isso também acaba afetando negativamente a sua imagem.

    "Ele está falando para uma parte da população que não se interessa por isso. Agora, se nós analisarmos do ponto de vista da estrutura internacional, prejudica bastante. Num país importante como o Brasil, entre as dez maiores economias do mundo, o presidente não entender nada de economia é bastante negativo, é bastante ruim. Mas, volto a dizer, ele está se estruturando e tentando blindar sua imagem para problemas futuros que poderão acontecer", opina o analista.

    Paulo Guedes tentou retirar culpa do governo por crise ambiental

    Sobre a polêmica declaração dada hoje pelo ministro da Economia para justificar o preocupante quadro ambiental do Brasil, Guilherme Carvalhido compartilha da opinião de que Paulo Guedes apresentou uma visão parcial e pouco realista sobre esse problema em Davos. 

    ​Segundo ele, ao culpar a pobreza pela degradação do meio ambiente, o ministro parece não ter considerado os dados que indicam que o processo de devastação está muito mais ligado a grandes empresas, dotadas de grandes aportes de capital e territoriais. 

    "Ele esqueceu, vamos dizer assim, de falar desse outro lado. Digamos que uma parte esteja coligada a pessoas pobres que necessitam tirar recursos do meio ambiente. Sim. Mas, se nós pegarmos o percentual desse tipo de devastação do meio ambiente no cenário brasileiro, verificaremos que não. As empresas que têm grandes aportes territoriais, essas, sim, pelos seus interesses econômicos, pelos seus objetivos, acabam degradando. E não é por causa da pobreza, mas, sim, para lucrarem em cima desse processo."

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    finanças, Universidade Veiga de Almeida, degradação, meio ambiente, pobreza, Fórum Econômico Mundial, economia, Jair Bolsonaro, Davos, Suíça, Brasil
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