21:20 16 Outubro 2019
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    Bombardeiros B-2 Spirit, B-1B e B-52 sobrevoando Afeganistão (foto do arquivo)

    Bombardeiros russos Tu-160 pertencem a um museu... Ou os bombardeiros americanos?

    © AFP 2019 / HO/USAF
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    Depois de os dois bombardeiros Tu-160 terem realizado um voo à Venezuela, o embaixador dos EUA na Colômbia, Kevin Whitaker, disse que "aviões tão antigos não são uma provocação, realmente são peças de museu".

    O especialista militar russo Mikhail Khodarenok decidiu comparar os bombardeiros russos e americanos na sua entrevista para o canal russo RT. De acordo com o especialista, todos os aviões pertencem a duas categorias: aqueles que estão aptos para voar e aqueles que não o estão, e por isso não há nenhuma outra gradação para determinar a capacidade operacional de uma aeronave.

    Um desses bombardeiros russos Tu-160 foi fabricado em 1990 e o outro em 1992. Os dois bombardeiros estratégicos passaram por uma fase de manutenção em 2008 e um deles foi modernizado em 2017. Então, um dos bombardeiros estratégicos tem 28 anos e o outro tem 26 anos.

    Essa idade é avançada para tal classe de aeronaves? Para responder a essa pergunta, Khodarenok propõe compará-la com a idade dos bombardeiros estratégicos norte-americanos.

    Por exemplo, o desenvolvimento do B-52 começou em 1948. A última unidade de B-52 foi fabricada em 1962. Todos os bombardeiros deste tipo que estão em serviço da Força Aérea dos EUA têm pelo menos meio século e espera-se que continuem voando até à década de 2040.

    Como resultado, eles serão retirados depois de estarem em serviço por 80 anos e, segundo algumas fontes, podem até se tornar os primeiros aviões a permanecerem em serviço por mais de um século.

    Qualquer B-52 é pelo menos 28 anos mais velho que os bombardeiros russos que voaram à Venezuela, explica Khodarenok. Por isso, chamar de "peças de museu" os bombardeiros estratégicos Tu-160 é, no mínimo, desrespeitoso.

    "Muito provavelmente, o embaixador dos EUA na Colômbia, Kevin Whitaker, simplesmente não esteja ciente desses fatos", acrescentou.

    Khodarenok acrescentou que outro bombardeiro estratégico dos EUA, o Rockwell B-1 Lancer, também não tem o elixir da eterna juventude, uma vez que mesmo as unidades mais recentes têm pelo menos mais dois anos que o Tu-160 mais velho.

    Finalmente, há o mais avançado e moderno bombardeiro disponível na Força Aérea dos EUA, o B-2 Spirit. As 21 unidades desta aeronave foram fabricadas entre 1988 e 1999, o que significa que mesmo os mais novos têm pelo menos duas décadas. No entanto, o tempo não é um problema para essa classe de aeronaves, de acordo com Khodarenok.

    Não é algo raro vê-las em operação durante décadas. Assim, o Tupolev Tu-95 da Rússia realizou sua primeira missão em 1952, e sua última modificação, o Tupolev Tu-95MS, foi produzida no início dos anos 80. Aeronaves de longo alcance são normalmente operadas desde que sua célula esteja boa, e geralmente ela está boa por um tempo muito longo, indica o especialista.

    Noutras palavras, as aeronaves de longo alcance são geralmente bem eficazes por muito tempo se forem reparadas, mantidas e atualizadas, reequipadas com novos aviônicos modernos e armas avançadas. Os bombardeiros Tu-160, equipados, por sua vez, com os equipamentos mais modernos, são sem dúvidas atuais e capazes de cumprir os objetivos necessários.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    modernização, museu, Tu-95, B-2 Spirit, B1-B Lancer, B-52, Tu-160, Rússia, EUA
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