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    Bandeiras da Venezuela e dos EUA

    Análise: Estados Unidos terão que superar vários obstáculos para invadir Venezuela

    © AFP 2018 / Don Emmert
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    No contexto de uma solução militar da crise venezuelana, na qual Donald Trump insiste, levanta-se a questão: a inclusão da Venezuela na lista de países patrocinadores do terrorismo é um sinal de preparação para uma invasão militar?

    O governo Trump está se preparando para adicionar a Venezuela à lista de países considerados pelos Estados Unidos como patrocinadores do terrorismo, informou o jornal The Washington Post em 19 de novembro, citando supostos vínculos de Caracas com o libanês Hezbollah, Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e outros grupos.

    O professor da Universidade Estatal de São Petersburgo e especialista em assuntos americanos, Lazar Jeifets, compartilhou, em entrevista à Sputnik Mundo, que não considera esse passo como preparação para possíveis ações militares contra a Venezuela.

    "Afinal de contas, agora não são os anos 80 quando era possível invadir Granada. Além disso, a Venezuela não é Granada, na qual, além dos construtores cubanos do aeródromo, não havia ninguém para resistir à infantaria americana", explicou o especialista.

    Jeifets também enfatizou que a invasão da Venezuela poderia ter sérias consequências para as relações internacionais e as relações nas organizações sul-americanas.

    Não importa quão negativa seja a atitude de alguns países latino-americanos em relação ao governo de Nicolás Maduro, é improvável que eles queiram ver a derrubada desse governo pela força.

    Ao mesmo tempo, o especialista acrescentou que, no caso de uma invasão terrestre, esses países teriam que cooperar com os EUA. Mas, mesmo países como a Colômbia ou o Brasil não concordariam em participar dessa ação.

    "Além disso, seriam necessárias certas autorizações de organizações internacionais. Eu não acho que os americanos tomem a liberdade de fazer isso em uma base unilateral", disse Jeifets.

    Quanto às organizações internacionais sul-americanas e à ONU, é improvável que autorizem uma solução militar quanto à Venezuela. Consequentemente, as ações dos Estados Unidos ficarão limitadas a declarações, à inclusão do país na lista de patrocinadores do terrorismo e ao fortalecimento das sanções existentes.

    Ao mesmo tempo, o especialista expressou surpresa com as acusações de Washington sobre os supostos vínculos de Caracas com o movimento libanês Hezbollah. Se as acusações de conexão com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) ainda têm lógica, no caso da organização libanesa tudo é mais grave.

    Portanto, devem ser apresentadas evidências concretas. Como evidência, é necessário nomear pessoas específicas, nomear valores específicos, indicar canais específicos através dos quais esses valores são transferidos e provar que esse dinheiro chegou. Isso não está acontecendo.

    "Eu realmente não gosto da tendência de criar opinião pública fazendo acusações que não são suportadas por nenhuma evidência concreta", disse Jeifets.

    Quanto às consequências para as relações da Venezuela com outros países após sua inclusão nesta lista, é improvável que isso venha a afetar as relações de alguma forma, o mesmo acontecendo no caso das sanções.

    "Os que colaboram com Caracas provavelmente não darão atenção especial a essas sanções, já que eles próprios estão sob sanções. Essas sanções não impedem de modo algum a vida econômica plena da Rússia, China ou Cuba", explicou o especialista.

    Em parte, as sanções não deverão abalar particularmente as relações da Venezuela com seus parceiros, porque são ideologicamente próximos. Portando, não há motivos sérios para alguém ter medo, enfatiza o especialista.

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    Tags:
    terrorismo, forças armadas, sanções, FARC, Hezbollah, ONU, Nicolás Maduro, China, EUA, Brasil, Colômbia, Cuba, Rússia, Venezuela
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