10:02 14 Novembro 2018
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    Soldados do Exército de Libertação Popular da China

    Surpresa desagradável para Washington: exército chinês obterá radares britânicos

    © AFP 2018 / ISAAC LAWRENCE
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    O jornal South China Morning Post relatou que as autoridades britânicas autorizaram exportação de equipamentos e tecnologias ligadas a radares militares para a China. A informação não deverá agradar a Washington que vem pedindo aos aliados para limitar entrega de tecnologias militares de dupla utilização a Pequim.

    Segundo os documentos, aos quais jornalistas tiveram acesso, o contrato foi aprovado por Londres ainda em abril. As partes teriam chegado ao acordo para fornecimento de radares militares durante a visita da primeira-ministra Theresa May ao gigante asiático no fim de janeiro e início de fevereiro deste ano, que tinha por objetivo impulsionar comércio bilateral e desenvolver cooperação industrial.

    Surpreende tanto a aprovação do acordo como o fato de a empresa fornecedora não ser limitada nem pelo pagamento nem pelo volume de remessas. De fato, Londres deu aos militares chineses pleno acesso às tecnologias de radares modernos.

    Ainda na época da Segunda Guerra Mundial, As Forças Armadas britânicas foram as primeiras a usar radares para combater ataques aéreos, criando bases de radiolocalização nos anos posteriores. Por isso, o interesse de Pequim nas tecnologias britânicas não é de surpreender.

    É possível que outros aliados dos EUA ignorem os conselhos de Donald Trump de limitar exportação de seus produtos para a China. Analista do Instituto de Cooperação Econômico-Comercial Internacional do Ministério do Comércio chinês, Mei Xinyu, comentou o assunto em entrevista à Sputnik China.

    O Reino Unido permanece sendo sem dúvidas o principal aliado dos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial. Porém, nota o analista, seus interesses nacionais e política são diferentes dos americanos.

    "Sendo antigo império colonial, a Grã-Bretanha é mais experta e fina no que diz respeito a estabelecer contatos externos do que os EUA. Por outro lado, o comportamento de Donald Trump é o mais imprevisível entre todos os presidentes americanos. Claro que o Reino Unido não irá seguir o exemplo dos EUA em tudo", disse Xinyu.

    O especialista acredita que tanto China como Reino Unido ponderaram bem o acordo antes de firmá-lo. Ainda por cima, Londres entende que as tecnologias chinesas atingiram um alto nível em certas áreas."Se o Reino Unido não vender equipamento radioeletrônico militar à China, isso não mudará nada. Mas, se firmar o acordo, poderá lucrar", acrescentou.

    Xinyu põe em questão a criação — por iniciativa dos EUA — de uma coalização contra a China, pois os próprios americanos não conseguem chegar a um consenso na questão.

    "Muitos estadunidenses esperam que os EUA consigam manter relações normais com a China e alcançar cooperação mutualmente vantajosa. Mas, claro, para os que veem Pequim como uma ameaça e falam sobre dissuasão, um acordo entre China e Reino Unido será uma decepção", opinou o analista.

    Uma surpresa ainda mais desagradável para Washington poderá ser a cooperação de especialistas britânicos e chineses na esfera de radiolocalização.

    Engenheiros militares chineses começaram a testar recentemente um protótipo de radar quântico com Pequim estando interessada em trocar experiência com especialistas estrangeiros.

    Apesar das restrições dos EUA, o contrato com o Reino Unido mostra que a situação não é tão desesperada para a China e quem poderá perder mais ao se recusar a cooperar com Pequim é Washington.

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    Tags:
    radares, tecnologias, cooperação militar, acordo, exportação, Theresa May, Donald Trump, Reino Unido, China, EUA
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