12:23 20 Novembro 2018
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    Bandeira da Síria em Damasco

    'Ocidente cometeu erro estratégico em relação à Síria'

    © REUTERS / Omar Sanadiki
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    Na sexta-feira passada (7), os líderes da Rússia, Irã e Turquia se reuniram em Teerã para uma cúpula trilateral. Cientista político iraniano comentou os resultados da cúpula, sublinhando que os EUA já não têm como influenciar a situação na Síria.

    A operação em Idlib e a regulação da situação na Síria se tornaram os temas principais da cúpula trilateral entre a Rússia, Turquia e Irã que decorreu em 7 de setembro em Teerã.

    Para o especialista em assuntos internacionais Seyed Hadi Barhani, a cúpula trilateral foi um sucesso para a diplomacia iraniana, mostrando que apesar da pressão econômica e política o Irã continua sendo um dos jogadores mais importantes na região.

    Já os Estados Unidos desempenham na Síria um papel destruidor do processo de regulação, acredita Barhani, fazendo de tudo para frustrar o sucesso do exército sírio e adiar a vitória sobre os terroristas. Porém, ressalta, "todos estes esforços são em vão, pois os EUA nem exercem influência real na situação nem conseguem parar o processo".

    O cientista político iraniano lembra que nestes casos Washington tende a recorrer a uma tática já testada com sucesso: encenações de ataques químicos que eles repetem toda vez que o exército sírio alcança sucesso no combate aos terroristas.

    Falando da estratégia americana geral na Síria, Barhani acredita que esta acabou dando errado.

    "Em geral, acho que o Ocidente cometeu um erro estratégico em relação à Síria. A razão deste erro é que os países ocidentais enxergam o Oriente Médio pelos olhos de Israel. O lobby israelense nas capitais ocidentais, incluindo Washington, é tão grande que eles avaliam a situação no Oriente Médio do ponto de vista de Israel, agindo nos interesses deste e não nos seus. Eles gastaram bilhões de dólares para derrubar o regime de Bashar Assad, mas nunca conseguiram o objetivo, e agora estão pagando pela sua política cega pró-Israel", opinou o analista em entrevista à Sputnik Persa.

    Com ele concorda outro cientista, o chefe do Departamento de Estudos Norte-Americanos da Universidade de Teerã, Seyed Mohammad Marandi. O encontro em Teerã, para ele, contribuiu tanto para a resolução da situação síria como para o fortalecimento das relações entre Moscou, Teerã e Ancara na luta contra as sanções americanas.

    Segundo Marandi, os EUA desde início que apoiaram a guerra na Síria, tal como a Arábia saudita, os Emirados Árabes Unidos, a Turquia e outros países.

    "Para enfraquecer o governo sírio, os norte-americanos autorizaram que os sauditas e países do golfo Pérsico ajudassem os extremistas como foi no Afeganistão nos anos 60, mas em maiores dimensões. Os EUA querem que [o grupo terrorista proibido na Rússia] Al-Qaeda permaneça como seu instrumento de pressão na Síria. Além disso, eles mesmos capturaram uma parte significativa da Síria", afirmou Marandi.

    Tal como o analista anterior, Marandi diz que os EUA usaram supostos ataques químicos como pretextos para realizar seus ataques aéreos. Agora, sublinha, Washington está preparando bases para que os grupos Al-Qaeda e Tahrir al-Sham e a ONG Capacetes Brancos, ligada à Al-Qaeda, possam efetuar um ataque encenado e culpar outra vez o governo sírio.

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    Tags:
    provocação, fracasso, erro, estratégia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Turquia, Irã, Ocidente, EUA, Síria
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