04:09 29 Setembro 2020
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    Embora não figure nas primeiras posições nas pesquisas de intenção de voto para Presidência da República, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), tem tudo para fortalecer e consolidar sua candidatura. Quem diz isso é o cientista político Alberto Carlos Almeida, diretor do Instituto Análise.

    Em entrevista à Sputnik Brasil, Almeida lembrou que a campanha presidencial ainda está dando os seus primeiros passos. A pouco menos de sete meses do pleito, o cenário que envolve os principais candidatos poderá mudar, especialmente no que diz respeito a Alckmin:

    "Está havendo uma subestimação da força do PSDB e da força da candidatura do governador Geraldo Alckmin. Por que eu digo que esta candidatura está sendo subestimada? Porque não está se levando em conta a força política do estado de São Paulo, comandado há tantos anos pelo PSDB, primeiro com Mário Covas e, depois, por Geraldo Alckmin. que foi seu vice. O PSDB tem uma máquina política grande e apreciável. Portanto, quando Geraldo Alckmin se colocar efetivamente como candidato, seu nome passará a ser mais falado entre os eleitores, e ele, então, terá maior presença nas mídias ao conceder entrevistas. Será a ocasião em que o governador, candidato a presidente da República, apresentará seus posicionamentos e os do seu partido em relação às grandes questões nacionais."

    Em 2006, Geraldo Alckmin disputou o segundo turno com Luiz Inácio Lula da Silva. O candidato do PT, vencedor em 2002 diante de José Serra, também do PSDB, obteve 46.662.365 votos, contra 39.968.369, de Geraldo Alckmin. Percentualmente, Lula obteve 48,61% dos votos, contra 41,64% de Alckmin.

    Para o cientista político, a tendência para o pleito presidencial de 2018 é uma nova polarização entre PT e PSDB, embora neste momento o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) apareça na primeira posição nas pesquisas no cenário sem Lula e em segundo lugar no cenário com Lula. Essa nova polarização entre os dois partidos que vêm dominando o panorama das últimas eleições no Brasil terá um grande diferencial, que será a posição de PT e PSDB diante do presidente Michel Temer, como afirma o analista:

    "O posicionamento do PSDB em relação ao presidente Michel Temer vai ser um dos mais importantes fatos a serem explorados durante a campanha eleitoral. O PT vai tentar mostrar à opinião pública que o PSDB apoiou e apoia Michel Temer. E o PSDB vai tentar se distanciar com o Geraldo Alckmin afirmando que não há mais esse apoio. Essa disputa vai fazer a diferença no percentual de votos. Quem conseguir convencer a opinião pública, vai levar a melhor. Vai levar a melhor como? Através do discurso. Será o momento do convencimento do eleitorado pelo discurso. Politicamente falando: hoje, ser associado ao presidente Michel Temer não é bom, tira votos de qualquer candidato."

    Ainda de acordo com o especialista, terá mais votos nesta campanha o candidato que se dedicar aos temas da economia. O eleitor, segundo ele, sabe que segurança pública é problema dos governadores, com apoio dos prefeitos.

    "E sabe também, principalmente, que quem tem de se preocupar com o estado da Economia (recuperação dos empregos, estabilidade estrutural, manutenção de atividades profissionais e empresariais) é o governo federal. Logo, quem quiser se eleger presidente da República este ano, terá de se preocupar, fundamentalmente, em abordar a situação da Economia no Brasil e em como fazer para melhorar seu desempenho."

    No seio do PSDB, o otimismo é absoluto em relação ao desempenho de Geraldo Alckmin na campanha presidencial, como demonstra o senador Dalírio Beber, de Santa Catarina:

    "Agora, em 2018, nós do PSDB temos certeza de que reunimos plenas condições de chegar à Presidência da República, diante do trabalho que o partido e os seus governadores realizaram em São Paulo ao longo de todos esses anos, começando por Mário Covas e chegando a Geraldo Alckmin. O povo de São Paulo reconheceu nas ações políticas, econômicas e administrativas dos últimos governadores de São Paulo todo um empenho por recuperar e fortalecer o estado. E quem administrou bem São Paulo tem todas as possibilidades de se eleger presidente da República, realizando um belo governo federal", afirmou Beber.  

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    PMDB, PT, PSDB, Dalírio José Beber, Mário Covas, Michel Temer, Jair Bolsonaro, Luiz Inácio Lula da Silva, Geraldo Alckmin, São Paulo, Brasil
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