06:57 08 Abril 2020
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    Um estudo, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), revelou que o Brasil está entre as 5 nações em que a parcela mais rica da população recebe mais de 15% de toda a renda nacional. Além disso, 1% mais rico do país concentra entre 22% e 23% da renda, bem acima da média em todo o mundo.

    O estudo considerou 29 países, entre desenvolvidos e em desenvolvimento. Além do Brasil, o Top 5 da desigualdade de renda é formado por África do Sul, Argentina, Colômbia e Estados Unidos. 

    Segundo o pesquisador do IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Pedro Herculano Guimarães, um dos autores do estudo publicado pela ONU, a situação não é nova. 

    "A gente sempre foi muito desigual. Sempre flutuamos mais ou menos em torno desse patamar", explicou o interlocutor da Sputnik.

    "Estamos bem longe do padrão dos países que conhecemos. É uma característica da América do Sul", acrescentou o especialista.

    Segundo ele, a composição do Top 5 fala por si: conta com três países sul-americanos e um africano.

    "A surpresa são os EUA", que segundo Guimarães não lideravam esta lista antigamente, mas que estão se tornando cada vez mais desiguais.

    Para o especialista, o resultado do estudo não foi uma surpresa. O Brasil fica no topo da lista, pois é comparado com países desenvolvidos, enquanto muitos países em desenvolvimento não fazem parte da pesquisa. Se fizessem, os resultados brasileiros não seriam tão dispares.

    De todo modo, a distribuição de renda é um problema sistêmico no Brasil e não poderá ser resolvido em breve e com uma abordagem única.

    "Difícil pensar em uma política única para mudar. Deveria ser feito em diversas frentes, de modo a que não se anulem. Não adianta aumentar a taxação sobre os mais ricos, dando contrapartida em outros setores, por exemplo", adverte o estudioso.

    Pedro Herculano Guimarães, no entanto, apontou um dos caminhos que, segundo ele, seria mais efetivo a curto e médio prazo, para resolver a atual situação. 

    "A curto prazo, é preciso mudar a composição da carga tributária do país. Aumentar a arrecadação sobre renda e cortar os impostos sobre serviços", explicou. 

    "Isso não vai resolver os problemas, mas teria um impacto a curto prazo", concluiu o especialista.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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