20:37 09 Dezembro 2018
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    Combatentes das Forças Democráticas da Síria com armas nas mãos perto de veículos militares em Raqqa, Síria

    Com 'EUA perdidos na Síria', guerra mais sangrenta estaria se aproximando do Oriente Médio

    © REUTERS / Rodi Said
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    Em meio a notícias sobre mudanças drásticas na política dos EUA, mais especificamente, interrupção do fornecimento de armas aos curdos sírios, parece que o Pentágono está fazendo pequenos ajustes em sua antiga política.

    Max Abrahms, professor doutor em ciências políticas da Universidade Northeastern norte-americana, compartilhou sua opinião com a Sputnik Internacional.

    Quatro aspectos foram abordados durante a entrevista: declaração da Casa Branca sobre as mudanças no apoio militar na Síria, razões da alteração da decisão, missão dos EUA na Síria e reação de Ancara.

    Para Max Abrahms, até então, a posição da Casa Branca quanto à situação na Síria era bastante harmoniosa. Os EUA e outros países, como a Rússia, Unidades de Proteção Popular, combatentes curdos e exército sírio, todos eram a favor da expulsão do Daesh (organização proibida na Rússia) da região.

    Não demorou tanto para expulsar o Daesh, especialmente da Síria. O problema agora é enfrentado pelas as pessoas que lá estão, pois os interesses dos países são contraditórios. Por um tempo, Estados Unidos viam os curdos como aliados na luta contra o Daesh, mas, no fim das contas, os rebeldes árabes se mostraram ineficazes e muito mais radicais do que pensavam os EUA.

    A Turquia se opõe ao apoio dos curdos por razões óbvias – estão em estado de guerra por mais de uma década. A Turquia considera os curdos uma ramificação do Partido dos Trabalhadores do Curdistão, grupo terrorista que torturou milhares de turcos durante anos. Por isso, Estados Unidos prometeram parar de financiar os rebeldes curdos, sendo essa uma vontade não só da Turquia, mas de outros países também.

    O posicionamento dos EUA vem mudando na região pelo simples fato de os vencedores na Síria serem considerados por eles como adversários, acredita o professor.

    Rússia obviamente possui uma forte posição na Rússia, muito mais forte do que antes de 2015; Bashar Assad continuará exercendo função de presidente, ainda mais depois da conferência em Genebra, onde foi declarado que seu regime está fora de discussão. O Hezbollah ganhou força graças ao Irã e agora tem mais interesse na Síria e mais experiência de combate. Por isso, os EUA podem se aliar a Israel que entrou em guerra dolorosa com o Hezbollah em 2006.

    Consequentemente, há hipótese de uma nova guerra entre o Hezbollah e Israel que será ainda mais sangrenta do que 11 anos atrás, pois o Hezbollah adquiriu mais experiência em guerrear.

    "Acho que os EUA não sabem qual é a sua posição na Síria." Historicamente, tinham pouca influência no país. "Não me iludo, os EUA continuarão com influência limitada na Síria, em especial depois da saída do Daesh."

    No que diz respeito à Turquia, o interesse dela é grande na Síria. A Turquia queria derrubar o regime de Assad, bem como estava preocupada com a presença do Daesh no país por ter sido muitas vezes ataca pela organização terrorista. "Mas o interesse principal da Turquia na Síria sempre foi enfraquecer os curdos."

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    Tags:
    fornecimento, armas, financiamento, curdos, terrorismo, guerra, Hezbollah, Daesh, Bashar Assad
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