05:43 15 Outubro 2019
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    Objetivo da ruptura de relações diplomáticas com Qatar – fazer o país se afastar do Irã

    © AFP 2019 / MARWAN NAAMANI
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    Num contexto de rompimento das relações diplomáticas entre o Qatar e um grupo de países do golfo Pérsico chefiado pela Arábia Saudita, a agência Sputnik Mundo entrevistou os analistas internacionais Paulo Botta e Federico Gaon sobre o desenvolvimento da situação.

    O especialista em segurança no Oriente Médio, Paulo Botta, considera que na região não há nenhum país que concorde "em ser arrastado à força para uma política externa muita perigosa".

    "A Arábia Saudita interpreta o apoio dos EUA como uma carta branca para exercer pressão sobre outros países da região. O Qatar, por sua vez, estabeleceu limites. Por trás disso está a briga entre os países árabes por causa de hidrocarbonetos. O Qatar é o segundo país do mundo em reservas de gás natural depois da Rússia", sublinha ele.

    No dia 5 de junho, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Bahrein e o Egito anunciaram o rompimento das relações diplomáticas com o Qatar, acusando Doha de apoiar organizações terroristas e desestabilizar a situação no Oriente Médio. A eles se juntaram o Iêmen, o governo interino da Líbia, a Mauritânia, as Comores, as Maldivas e Maurício.

    Os países impõem a saída de cidadãos do Qatar dos seus territórios (exceto o Egito), e encerraram as ligações aéreas, terrestres e marítimas com o Qatar.

    A aproximação do Qatar com o Irã e a busca do desenvolvimento de uma política externa própria são as principais razões do conflito, que ocorreu duas semanas depois da visita do presidente norte-americano, Donald Trump, à Arábia Saudita, onde ele acusou o Irã de ajudar o terrorismo e desestabilizar a situação na região.

    Federico Gaon, que também se especializa em questões do Oriente Médio, disse que nunca antes tem visto uma agressão em tal escala.

    "As sanções econômicas contra o Qatar vão ter consequências graves. Os produtos são importados em 90% da Arábia Saudita via rotas terrestres", disse o especialista à Sputnik Mundo.

    A razão para essa rigidez, de acordo com Gaon, se encontra na intenção "de mudar a política externa do pequeno reino, o afastar do Irã e ele deixar de apoiar a Irmandade Muçulmana". O especialista acredita que tal medida contra o Qatar está ligada aos discursos de Donald Trump durante sua visita ao país. Não é por acaso que os estados sunitas "estão ajustando contas com o Qatar", acrescentou.

    Na verdade, no dia 6 de junho, Trump escreveu na sua conta do Twitter sobre o que está acontecendo no golfo Pérsico.

    "Durante a minha recente visita ao Oriente Médio, eu destaquei que não deveria haver financiamento de ideologias radicais. Os líderes apontaram o Qatar – vejam!"

    ​E acrescentou: "Ainda bem que a visita à Arábia Saudita, ao rei [dela], e a outros 50 países estão mostrando resultados. Talvez este seja o início do fim do horror do terrorismo."

    ​O especialista Federico Gaon opina que a principal questão nesta situação é a questão do tempo.

    "[Para o Qatar] não é possível estar ao mesmo tempo do lado dos iranianos, da Irmandade Muçulmana e dos governos conservadores do Egito e da Arábia Saudita." Usando a situação atual os países da região "estão mostrando [ao Qatar] que o tempo acabou", concluiu o especialista.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    sanções, política, relações diplomáticas, Donald Trump, Egito, Oriente Médio, Arábia Saudita, Irã, EUA, Qatar
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