17:22 19 Outubro 2018
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    Cidade de Bengazi, na Líbia

    Rússia e Líbia estão negociando cooperação bilateral

    © AFP 2018 / ABDULLAH DOMA
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    A situação na Líbia continua tensa passados quase cinco anos após o derrube do regime de Muammar Kadhafi. De acordo com o embaixador da Rússia na Líbia, Ivan Molotkov, Moscou está tentando promover a unidade entre as forças do país, a fim de acabar com a longa crise.

    O país está em poliarquia: em março em Tripoli começou a funcionar o novo governo, liderado pelo primeiro-ministro Fayez al-Sarraj, e em Tobruk permanece o Parlamento, que não reconhece o governo e foi formado com os esforços da comunidade internacional, e parte do território da Líbia ainda está sob controle dos militantes ligados ao grupo terrorista Daesh (proibido na Rússia). 

    O diplomata russo também falou sobre os recentes contatos da liderança da Líbia com as autoridades russas sobre os interesses empresariais russos na Líbia e da possibilidade do retorno da embaixada da Tunísia para Tripoli. 

    Leia a íntegra da entrevista da Sputnik com o embaixador russo Ivan Molotkov.

    Sputnik: Na Líbia hoje há uma poliarquia. Com quem atualmente está a Rússia em conversações?

    Ivan Molotkov: Com todos. Em particular, com o governo de Fayez al-Sarraj e com o parlamento em Tobruk. O fato de nós estarmos falando com todos os lados confirma o nosso interesse em uma Líbia unida e consolidada. Todos os nossos contatos estão relacionados com isso. Queremos empurrar os líbios, as forças deles, quero dizer – não os terroristas, para que eles finalmente cheguem a um consenso e se unam a fim de tirar o país da crise em que permanece por mais de 5 anos.

    S: Anteriormente foi relatado que o chefe do exército da Líbia Khalifa Haftar chegou a Moscou com uma visita. Você pode confirmar isso?

    IM: Sim, ele está em Moscou agora.

    S: Com quem vai ele se encontrar?

    IM: Na segunda-feira, ele se reuniu com Nikolai Patrushev, secretário do Conselho de Segurança, com Sergei Shoigu, ministro da Defesa russo, e na terça tinha uma reunião no Ministério das Relações Exteriores.

    S: Quais são as questões que estiveram na pauta?

    IM: A forma como a Rússia poderia contribuir para a consolidação na Líbia.

    S: A questão de fornecimento de armas e outras formas de assistência de Moscou foram discutidas?

    IM: Foram discutidas essas entre outras.

    S: Você espera no futuro próximo quaisquer visitas de autoridades líbias à Federação da Rússia?

    IM: Sim, nesta terça chegou o vice-primeiro-ministro do governo Ahmed Maiteeq, que vai ter reuniões no Ministério das Relações Exteriores e talvez algumas outras reuniões.

    S: Atualmente têm vindo empresários russos à Líbia? Podemos falar da restauração das relações comerciais entre a Rússia e Líbia?

    IM: Infelizmente, a situação de segurança não permite que os nossos empresários retomem suas atividades. Atualmente, os empresários viajam à Tunísia e outros países próximos, para se encontrarem com seus parceiros líbios, mas ainda é cedo para dizer que os nossos negócios foram restabelecidos.

    S: E os empresários líbios vêm à Rússia?

    IM: Os contatos com eles estão em andamento, mas são preliminares, ainda não se trata da cooperação sob quaisquer formas específicas.

    S: Em que áreas existe um maior interesse agora?

    IM: O petróleo, o gás, a empresa Russian Railways tinha lá um projeto muito grande. Claro que a cooperação técnico-militar é muito promissora, mas mais uma vez eu quero salientar que ainda cedo para falar sobre isso. Tínhamos boas relações antes da revolução, mas a situação atual não permite falar sobre quaisquer avanços.

    S: Algumas embaixadas estrangeiras já manifestaram a vontade de voltarem para Trípoli vindas da Tunísia, onde se encontram agora. A Embaixada da Rússia pode voltar à Líbia nos próximos meses?

    Jens Stoltenberg, secretário-geral da OTAN
    © REUTERS / Francois Lenoir
    IM: Se falarmos em próximos meses, é pouco provável, embora, claro que consideramos tal possibilidade, bem como outras embaixadas. Aqui, mais uma vez, a questão da segurança é muito importante.

    S: Então ainda é difícil definir o período de tempo?

    IM: É muito difícil.

    S: Como você pretende resolver a questão com o prédio da embaixada que, de acordo com o senhor, não pode ser reparado após os ataques?

    IM: Já deixamos aquele prédio. Como você sabe, durante os últimos seis meses antes de nos mudarmos para a Tunísia, trabalhávamos em um dos hotéis da capital, alugámos dois andares lá. Continuamos considerando as opções de uma embaixada para o longo prazo sem estar vinculada ao hotel, encontrámos uma possibilidade e já começámos trabalhando nela, mas a situação do verão de 2014 nos obrigou a suspender o trabalho. Por enquanto, se aparecer a questão da mudança para Trípoli, sublinho — se aparecer, porque na minha opinião isso é improvável no curto prazo, provavelmente voltaremos para o hotel.

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    Tags:
    embaixada russa, cooperação bilateral, fornecimento, armas, relações bilaterais, gás, entrevista, petróleo, Ministério das Relações Exteriores, Fayez al-Sarraj, Ivan Molotkov, Ahmed Maiteeq, Muammar al-Gaddafi, Tunísia, Trípoli, Líbia, Moscou, Rússia
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