23:21 18 Novembro 2017
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    Especialista comenta revelação de jornalista norueguês sobre complô contra Evo Morales

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    Especialista em políticas latino-americanas comenta revelação de jornalista norueguês sobre conspiração contra o Presidente Evo Morales: “Essas informações só comprovam a participação de instituições norte-americanas, desde a época da Guerra Fria, para financiar a desestabilização de governos que não lhes são favoráveis.”

    A Bolívia realiza neste domingo, 21 de fevereiro, o referendo através do qual o eleitorado dirá se o Presidente Evo Morales poderá encaminhar ao Parlamento uma Proposta de Emenda Constitucional que lhe permita disputar mais um mandato presidencial na eleição de 2019. E, às vésperas deste referendo, na quinta-feira, 18, a agência cubana de notícias Prensa Latina divulgou revelações do jornalista norueguês Eirik Vold, de que os Estados Unidos tramaram a queda do Presidente Evo Morales em 2007.

    Eirik Vold disse ter consultado documentos divulgados pelo site WikiLeaks entre os anos de 2006 e 2009. Nos textos pesquisados, constam testemunhos do apoio financeiro que os Estados Unidos prestavam a um movimento separatista na Bolívia. Segundo Vold, a Agência de Desenvolvimento dos Estados Unidos (USAID) transferiu mais de 4 milhões de dólares aos separatistas da região de Media Luna (Meia-Lua), localizada na fronteira com o Brasil. Ainda de acordo com o jornalista, “os planos dos separatistas incluíam explosão de gasodutos nacionais, o que iria forçar o Governo a aceitar a separação”. Eirik Vold disse também que os Estados Unidos até cogitaram “a morte violenta de Evo Morales”, informação de que o presidente tinha conhecimento mas preferiu não divulgar.

    Para o especialista em políticas latino-americanas Roberto Santana, da UERJ, “essas revelações do jornalista norueguês com os documentos do WikiLeaks como fonte só comprovam a participação e o financiamento de instituições norte-americanas, principalmente a USAID, que é uma instituição que os Estados Unidos utilizam como fachada da CIA, desde a época da Guerra Fria, para financiar a desestabilização de governos que não lhes são aprazíveis”.

    “Durante 2008 e 2009 houve uma série de manifestações extremamente violentas na Bolívia, justamente na região de Meia-Lua, que é a região economicamente mais pujante, mais rica da Bolívia, fica próxima da fronteira com o Brasil”, comenta Roberto Santana. “E essas manifestações foram utilizadas no sentido de tentar uma autonomia total dessa área em relação ao Governo central – na época, já o Presidente Evo Morales –, quando não a independência plena da região em relação ao Governo Federal. Essa movimentação ocorreu, com mortes, inclusive, uma série de conflitos violentos, e só não foi mais à frente devido ao respaldo popular que Evo Morales teve e também à diplomacia da América do Sul, por meio da Unasul, que conseguiu mediar as conversações e terminar com os protestos violentos.”

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    Tags:
    USAID, Unasul, CIA, WikiLeaks, Eirik Vold, Roberto Santana, Evo Morales, Media Luna, Bolívia, EUA
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