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    Vice-presidente do NBD: ‘Sustentabilidade é o foco do Banco dos BRICS’

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    BRICS em 2016 (30)
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    O economista Paulo Nogueira Batista Jr., vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, o Banco dos BRICS, de passagem pelo Brasil escreveu um artigo para a grande mídia e falou à Sputnik sobre suas impressões em torno da economia brasileira, bem como sobre os projetos iniciais de financiamento do NBD.

    Paulo Nogueira Batista Jr. acredita que o Brasil tem todas as condições para reverter as expectativas internacionais em torno da recuperação da sua economia diante da perda de grau de investimento por parte das três maiores agências de classificação de risco dos Estados Unidos.

    Ele falou também sobre os projetos iniciais a serem financiados pelo Novo Banco de Desenvolvimento e confirmou que alguns deles estarão voltados para a área ambiental, com os recursos sendo destinados ao aproveitamento de energias alternativas como a eólica e a solar. O NBD, segundo seu vice-presidente, também está voltado para o financiamento de projetos focados em infraestrutura. 

    Sputnik: Qual a saída para acabar com a recessão econômica e emocional – como o senhor colocou em seu artigo no jornal “O Globo”?

    Paulo Nogueira Batista Jr.: Quais são os pontos que já estão gerando certa reação? Um deles é a depreciação cambial, muito forte, bem-vinda, estamos há muito tempo com o câmbio sobrevalorizado e essa depreciação do real em relação às moedas estrangeiras está barateando o Brasil computado em dólares. O Brasil se torna atraente para o turista estrangeiro, atraente para o investidor estrangeiro, ativos daqui ficam baratos em moeda estrangeira e com isso vão aumentar o investimento, o fluxo de turismo, as exportações e as atividades ligadas à substituição de importações. Isso já está acontecendo, o ajuste externo foi muito forte e resultou na depreciação de um lado e na recessão de outro. Agora temos outros problemas a corrigir, temos que fazer a inflação convergir para a meta, temos que estabilizar as contas públicas e temos que estabilizar o nível de atividade. O câmbio ajuda mas não é suficiente, porque o Brasil é uma economia muito grande, de proporções continentais, não é uma economia pequena, aberta, onde o setor externo é dominante. Numa economia como a nossa não basta a depreciação cambial para se estabilizar o nível de atividade, temos que ter outros componentes, e o Governo está tentando introduzir esses outros componentes, anunciou medidas de expansão do crédito centrado nos bancos públicos: Banco do Brasil, BNDES e Caixa Econômica Federal. E também vejo que há uma redefinição da política fiscal, problema de ajustamento, sim, mas passado em vários anos, e não podemos, no momento em que a economia está tão debilitada, apontando para baixo, atuar de maneira pró-cíclica com a política fiscal e nem com a política monetária. O Banco Central interrompeu a alta de juros, sob protestos da turma da bufunfa, mas interrompeu e eu espero que em algum momento, assim que a inflação permitir, o Banco Central vá reduzir gradualmente essa taxa que é altíssima e dificulta a retomada da economia.

    S: Há um debate que vai permear o Congresso nesse início de trabalho, em torno da volta da cobrança da CPMF. A economia do Brasil está no rumo certo?

    PNBJ: Não, a economia está apontando para baixo, a queda da atividade não foi estancada ainda, o desemprego está aumentando… Eu espero que o Governo esteja acertando em termos de direção da política econômica e isso se faça sentir em termos de recuperação da economia a partir do final do ano em curso.

    S: O senhor acredita que recuaremos da casa de dois dígitos de inflação no Brasil ao final de 2016?

    PNBJ: Sim, porque algumas das pressões inflacionárias que atuaram no ano passado não vão se repetir este ano, não há tanto reajuste de tarifa pública programado e o câmbio não deve se depreciar muito mais, pode até se apreciar um pouco. A política monetária está dura, juros altos, economia em recessão, então acho que a inflação tende a ceder, sim. Não cede tão rápido quanto poderia porque há muitos mecanismos de realimentação da inflação, de inércia inflacionária, mas vai ceder sim, vai cair gradualmente.

    S: As três principais agências de classificação de risco dos EUA, Standard & Poor's, Fitch e Moody's, rebaixaram a nota de crédito do Brasil em 2015, retirando do país o grau de investimento. De que forma este rebaixamento repercutiu entre seus colegas da Diretoria do Novo Banco de Desenvolvimento, o Banco dos BRICS?

    PNBJ: Estamos todos atentos a isso, porque nosso Banco vai ao mercado este ano e um dos fatores que influem sobre a classificação de risco do Novo Banco de Desenvolvimento é a classificação de risco dos países fundadores, e não só o Brasil, como também Rússia e África do Sul tiveram rebaixamento, a China está com problemas econômicos e só a Índia está indo bem no momento. Então foi avaliado como fato relevante, mas na formação da classificação de risco de um banco entra não só a classificação de risco dos membros fundadores mas também a própria condução da instituição em si, e nós estamos trabalhando para que ela seja a mais sólida possível.

    S: Que projetos estão em análise no Novo Banco de Desenvolvimento, o Banco dos BRICS?

    PNBJ: Por enquanto nós temos uma carteira de projetos relativamente limitada, e a ênfase na primeira leva de projetos que esperamos aprovar na Diretoria, no segundo trimestre deste ano, é em energia renovável. Por exemplo, no caso dos projetos brasileiros, estamos focando num empréstimo em dois passos com o BNDES, vinculado a três projetos na área eólica, e há outros projetos de energia limpa sendo estudados em outros países. Mas o Banco tem um mandato mais amplo, tem um mandato de mobilizar recursos para financiamento de infraestrutura, de uma maneira geral, e desenvolvimento sustentável. Então vamos explorar várias outras alternativas ao longo deste ano e do próximo. O Novo Banco de Desenvolvimento é talvez um dos poucos bancos multilaterais que tem no DNA a questão da economia verde, porque faz parte do nosso mandato financiar projetos de desenvolvimento sustentável. Então esta vai ser uma grande ênfase do Banco. Vamos procurar trabalhar sempre com projetos que contribuam, de maneira positiva, para esta questão crucial para o planeta que é a sustentabilidade.

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    BRICS em 2016 (30)

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    CPMF, sustentabilidade, política monetária, inflação, entrevista, economia, Banco dos BRICS, Fitch, Novo Banco de Desenvolvimento, BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Standard & Poor's, Moody's, BRICS, Paulo Nogueira Batista Jr, Brasil
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