23:37 09 Dezembro 2019
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    Mercosul anuncia acordo de livre comércio com União Europeia

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    O presidente do Paraguai, Horacio Cartes, que também está exercendo a presidência temporária do Mercosul, declarou à mídia internacional que o possível acordo de livre comércio entre o bloco sul-americano e a União Europeia deverá ser formalmente anunciado na reunião de cúpula de 21 de dezembro, em Assunção.

    O acordo já havia sido aprovado por Brasil, Uruguai e Paraguai, e só faltava a anuência da Argentina, o que foi recentemente obtido junto à Presidente Cristina Kirchner.

    Horacio Cartes, que também em 21 de dezembro estará transferindo a presidência rotativa do Mercosul para Tabaré Vázquez, presidente do Uruguai, sustenta que o acordo de livre comércio será um grande avanço para europeus e sul-americanos.

    Esta é também a opinião de Creomar de Souza, professor de Relações Internacionais da Universidade Católica de Brasília. Em entrevista exclusiva para a Sputnik Brasil, ele afirma que o acordo tem tudo para tornar ainda mais próximos os dois blocos, intensificando o relacionamento político-econômico entre América do Sul e Europa. 

    Sputnik: O Acordo de Livre Comércio entre União Europeia e Mercosul ganhará vida a partir de 21 de dezembro. O que significa este acordo para os dois blocos?

    Creomar de Souza: Caso esta decisão se concretize, o acordo pode significar o ganho de um espaço econômico bastante privilegiado para o Mercosul, em termos de relação bilateral com a União Europeia (UE). O que nós esperamos, como cidadãos que vivem dentro deste espaço econômico e político que é o Mercosul, é que o acordo se consolide porque as nossas economias precisam deste tipo de oportunidade. Porém, sempre vale um pouco de cautela, porque no decurso destes 20 anos de negociação entre Mercosul e UE por várias vezes surgiram declarações políticas dizendo que o acordo estava muito próximo, e o acordo não avançou, ora por restrições do lado do Mercosul, ora por restrições do lado europeu.

    S: De que natureza eram essas restrições?

    CS: Do lado do Mercosul as restrições sempre se colocam no sentido de que, como um bloco que é efetivamente produtor de matérias-primas, há sempre uma grande preocupação sobretudo com relação aos subsídios agrícolas que a Europa entrega a seus países-membros. O Mercosul sempre pôs muita pressão no sentido de que esses subsídios caíssem, porque eles impedem que os produtos agrícolas da região sejam competitivos em âmbito europeu, e do outro lado os europeus sempre são muito resistentes a qualquer tipo de ação que derrube tais subsídios. Talvez um elemento que possa abrir espaço para essa transformação seja a própria necessidade de ambos os lados de diversificar sua matriz de negócios.

    S: O anúncio do acordo foi feito pelo presidente do Paraguai e do Mercosul, Horacio Cartes, em entrevista à mídia internacional, e naquele momento ele disse que faltavam apenas alguns detalhes. Brasil, Uruguai e Paraguai já estavam de acordo, faltando apenas a Argentina. Alguns analistas latino-americanos estranham que Bolívia e Venezuela não foram mencionadas. Como o senhor vê esta questão?

    CS: Na verdade, a não presença de Bolívia e Venezuela nesta fase do acordo é uma mera tecnicalidade. Esse processo de costura de um acordo UE-Mercosul é algo que vem de 20 anos. Em algum sentido nós temos que os quatro países são os desenvolvedores da arquitetura e de certa maneira deve haver algum arranjo intrabloco que permita que esta negociação seja feita sem a presença de Bolívia e Venezuela. Basicamente, isto não significa nenhum prejuízo a estes dois países, muito ao contrário. Uma vez que o acordo seja resolvido, eles também serão beneficiários, se assim quiserem, dos elementos positivos resultantes do ajuste de conduta entre ambas as partes.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tags:
    Acordo de Livre Comércio entre União Europeia e Mercosul, acordo, acordo comercial, Mercosul, Creomar de Souza, União Europeia, Brasil
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