23:39 24 Setembro 2017
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    Fronteira entra a Turquia e a Síria perto da cidade síria de Jarablus ocupado pelo Estado Islâmico

    Político turco: precisamos liberar a Síria dos terroristas

    © REUTERS/ Murad Sezer
    Opinião
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    Na Síria continua a operação da Força Aeroespacial russa contra o Estado Islâmico. Enquanto o governo turco expressa a sua preocupação, o principal partido oposicionista turco defende uma posição diferente em relação à ofensiva russa.

    Na opinião do vice-presidente do Partido Republicano Popular (PRP) da Turquia, Murat Ozcelik, a operação aérea russa contra o Estado Islâmico é muito mais eficiente e tem resultados mais significativos, ao invés das ações dos EUA e seus aliados. 

    Segundo Ozcelik, o PRP era desde o início do conflito a favor da regularização por meio de negociações com a participação dos maiores atores da região, a Rússia e o Irã. Ozcelik afirma que o presidente sírio Bashar Assad também deve ser uma parte das negociações porque a parte significativa da população síria continua a considerá-lo o seu líder. 

    As eleições antecipadas parlamentares na Turquia estão cada vez mais próximas. Ozcelik frisou que, entre as prioridades do seu partido na política externa, está a liquidação do Estado Islâmico e outras ameaças dos grupos terroristas radicais. 

    “É preciso liberar a Síria do 'ninho de terroristas'”. O PRP não considera que os grupos salafitas da Síria sejam moderados. Somos a favor da criação de um sistema secular e laico na Síria e estamos seguros de que os grupos salafistas não podem contribuir para a criação de tal sistema”, afirmou Ozcelik.

    O vice-presidente do PRP lembrou que o seu partido apelou ao governo e presidente turcos para não realizarem quaisquer ações que minem o poder do presidente sírio Bashar Assad. Na opinião do político, a operação aérea russa pode mudar a situação na região de modo positivo. 

    Abordando o assunto do Estado sírio no futuro, Murat Ozcelik disse: “O governo legítimo sírio deve ter as capacidades de fortalecer as suas posições. É uma das tarefas do PRP. A ameaça do Estado Islâmico deve ser liquidada e a influência do governo legítimo sírio deve ser expandida por todo o território do país”.

    Falando sobre o possível impacto da operação aérea russa no desenvolvimento das relações russo-turcas, o político afirmou que a Rússia não é inimigo da Turquia. Está no topo da lista dos países com os quais a Turquia mantém relações abertas e amigáveis. 

    Por seu turno, o ex-embaixador sérvio na Turquia, Dusan Spasojevic, declarou que, sob Putin e Erdogan, as relações russo-turcas atingiram o seu melhor nível em toda a história. O que contribui para isso é o fato de que a Rússia, ao invés dos países ocidentais, nunca interferiu nos assuntos internos da Turquia e nunca fez sermões sobre o seu comportamento em diferente situações.

    O diplomata sérvio considera que não é importante quem está contra a operação russa; o que é mais importante é que Israel, Egito, Irã, Iraque, Líbano, Jordânia, Estados Árabes Unidos e outros atores-chave da região não condenaram as ações russas. 

    Ao mesmo tempo, o exército turco, considerado o segundo maior da OTAN, se comportou como um tigre de papel, disse o ex-embaixador. “A Turquia, que aspira à liderança na região, não é capaz de interferir em situações que se desenvolvem próximo das suas fronteiras”.

    Tags:
    relações bilaterais, oposição, Estado Islâmico, Turquia, Síria
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