15:29 08 Agosto 2020
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    Durante um bom tempo a mídia internacional e seus analistas de plantão previram o caos econômico da Rússia, causado pelas sanções econômicas contra o país e os baixos preços do petróleo. O tempo passa, dificuldades existem, mas a Rússia está muito longe da tragédia, e, segundo analistas, será capaz de superar os acontecimentos das crises.

    Recentemente, no Fórum Econômico de Vladivostok, o Presidente Putin surpreendeu, dizendo que a Rússia não considera nada dramática a queda do preço do petróleo, e declarou adiante: "A nossa linha geral não está sendo baseada na queima de reservas internacionais ou no uso das fontes do orçamento para manter a nossa indústria. O nosso objetivo é ampliar a liberdade de empreendedorismo e diminuir cada vez mais a influência da burocracia para o nosso sistema econômico." Só para lembrar, as reservas internacionais da Rússia representam US$ 366,36 bilhões, de acordo com o Banco Central do país (01/09/2015), e não demonstram nenhuma tendência para queda.

    Na opinião da britânica Business New Europe, caso a situação chegue a ser mais complicada, a Rússia estará em plenas condições de pagar as suas dívidas, enquanto nenhum outro país desenvolvido seria capaz de se sustentar na mesma situação durante um ano.

    Vamos analisar duas indústrias estratégicas para o bem-estar do país – de petróleo e agronegócios. A primeira, porque 50% do PIB do país ainda dependem dela, e a segunda, porque até pouco tempo atrás 75% dos alimentos dos russos eram importados. Em relação à indústria petrolífera, podemos concluir que a recente desvalorização do rublo acabou sendo um fator positivo, porque permitiu compensar a queda dos lucros da exportação do petróleo. Como resultado, a queda de preços no mercado de petróleo e as sanções, em conjunto, não conseguiram produzir na prática um grande efeito negativo para as companhias petrolíferas russas. 

    A edição russa Gazeta.com cita o relatório do analista da Bloomberg Intelligence Philip Tchladek em que ele menciona que praticamente todas as companhias petrolíferas russas demonstram rentabilidade muito mais alta em comparação com suas análogas europeias. De acordo com Igor Sechin, presidente da Rosneft, o preço de custo da produção de petróleo da sua companhia representa US$ 4,2 por barril, em comparação com os US$ 27 da Exxon Mobil.

    Isso não significa que as empresas russas não têm problemas, mas confirma que elas passam pelo período nebuloso muito melhor do que suas análogas ocidentais. Nos EUA, por exemplo, o período eufórico do petróleo de xisto está chegando ao fim. A OPEP foi mais direta, dizendo que a revolução do xisto nos EUA chegou ao fim. A produção de petróleo dos EUA em 2015 diminuiu até 13,75 milhões de barris, e essa queda continua. As despesas das companhias americanas de petróleo e gás, no primeiro semestre de 2015, cresceram US$ 32 bilhões, enquanto durante todo o 2014 esse número representava US$ 37,7 bi. Se no final de 2010 a dívida conjunta das companhias americanas de petróleo e gás representava US$ 81 bi, em 2015, só no primeiro semestre, este número foi para US$ 169 bi. Consequentemente, está diminuindo de forma dramática o financiamento das empresas do setor, que criam um novo problema econômico sério para o país. Curioso, mas de acordo com o “Financial Times”, apesar das sanções e das conhecidas complicações nas relações entre EUA e Rússia, a exportação de petróleo russo para os EUA cresceu até o máximo nos últimos três anos. Vários analistas perceberam que a Rússia continua sendo um dos poucos produtores de petróleo capazes de continuar investindo em novos projetos. 

    Situação interessante pode ser observada ao analisar as notáveis mudanças na agricultura russa. De maneira impressionante, o país está realizando com sucesso projetos de substituição de produtos importados pela produção nacional. Em recente entrevista para o jornal russo “Komsomolskaya Pravda”, o ministro da Agricultura russo Aleksandr Tkachev declarou: "Daqui a uns 5 a 7 anos nós vamos praticamente parar de depender dos produtos importados." 

    Os números reais confirmam isso. Em poucos anos a Rússia, praticamente na totalidade – para ser exato, em 95% –, se tornou independente da importação de frango. Batizada pela população de "coxinha de Bush", a importação monstruosa do produto se tornou coisa do nebuloso passado. A dependência de carne suína diminuiu drasticamente porque a indústria nacional consegue garantir regularmente uma produção de 70% do consumo no país, e está se preparando para o inicio da exportação.

    A produção de trigo bate recordes ano após ano e coloca o país na relação dos cinco principais produtores e exportadores mundiais. Cresce em mais de 40% a produção de soja no país – o elemento estratégico para alimentação de animais. Aumenta permanentemente o apoio do Estado para o setor. Se em 2010 foram investidos 111 bilhões de rublos, em 2015 este número cresceu para 222 bi. É óbvio que aqui também existem problemas, mas os resultados alcançados não deixam de impressionar.

    Dois casos, dois setores diferentes da economia. Nem tudo é tão simples como parece. Nem para o mal, nem para o bem.

    A presidente do Parlamento russo, Valentina Matvienko, disse recentemente que as sanções econômicas, por incrível que se possa imaginar, fizeram bem à Rússia, fazendo com que o país aceite o desafio. É difícil não concordar. As mulheres sempre têm razão.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    preço do petróleo, trigo, guerra de sanções, rublo, crise econômica, petróleo, economia, sanções, Vladimir Putin, Rússia
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