16:44 21 Agosto 2017
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    Para professor de História, Daniel Scioli está se apresentando ao eleitorado com uma boa plataforma e trabalha com a ideia de sugerir a inclusão da Argentina no grupo BRICS
    © flickr.com/ Eduardo Amorim

    Opinião: Argentina quer juntar-se ao BRICS para dar um salto de qualidade internacional

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    Candidato com a maior intenção de votos para a Presidência da República da Argentina, Daniel Scioli concedeu entrevista à mídia do Brasil e da Espanha em que citou o apoio recebido do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse que nada irá separá-los, menos ainda os seus países.

    Ao ser perguntado a que fatos exatamente se referia, Daniel Scioli preferiu não se aprofundar mas prometeu que, se eleito, cuidará de fortalecer o relacionamento com os países sul-americanos, com blocos regionais como Mercosul e Unasul, e que, particularmente, procurará fortalecer os laços entre Argentina e Brasil.

    Daniel Scioli, apontado como candidato da Presidenta Cristina Kirchner e do kirchnerismo, movimento representado por ela e por seu falecido marido, Néstor, Daniel Scioli tem 39,2% das intenções de votos para o primeiro turno das eleições presidenciais em 25 de outubro. Seu concorrente mais próximo, Mauricio Macri, tem 30%, e o terceiro colocado, Sergio Massa, 20,6% das preferências.

    Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, o Professor de História  João Cláudio Pitillo, que acompanha os preparativos para as eleições na Argentina, diz que Daniel Scioli está se apresentando ao eleitorado com uma boa plataforma e trabalha com a ideia de sugerir a inclusão da Argentina no grupo BRICS, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

    Sputnik: O senhor tem ideia de que forças estariam tentando separar Brasil e Argentina?

    João Cláudio Pitillo: Essas forças andam pelo nosso continente há muitos anos, não só o imperialismo quanto a burguesia vendilhona, tanto do Brasil quanto da Argentina. A elite entreguista que sangra estes dois países há mais de 500 anos. Essa turma se locupleta há anos gerenciando todo o capital estrangeiro na América do Sul, de forma a servir aos ditames de Washington e da União Europeia (UE). A essa turma não interessa a formação de um bloco entre Brasil e Argentina, porque isso iria representar uma superação dessa dependência que assola o continente. Eles têm muito medo da integração entre Brasil e Argentina. Vejo com bons olhos Daniel Scioli prestando atenção e falando sobre isso. É salutar para o futuro dos dois países.

    S: O Mercosul está unido diante das pretensões da Argentina de estabelecer laços cada vez mais sólidos com a União Europeia?

    JCP: A Argentina vem com problemas econômicos que se agravaram a partir do final de 2010, início de 2011, e, em contramedida, de forma muito corajosa, enfrentou os chamados “fundos abutres”, e esse enfrentamento colocou o país no olho do furacão. A Argentina vem sendo perseguida pelo FMI, e isso tem causado muitos problemas para a economia que é dependente de exportações. A Argentina vê, numa aproximação com a UE, uma maneira de contornar os “fundos abutres” e o FMI, porém isso não é fácil, não basta querer. Vejo Daniel Scioli se antecipando, que é para a Argentina ter um “costado”, um anteparo, uma força para essa negociação, e ela está no fortalecimento do Mercosul, no fortalecimento das relações entre Brasil e Argentina, que decaíram muito a partir de 2009, chegaram a um patamar muito baixo, e também na intenção da Argentina de integrar o BRICS. Ela se prepara para dar um salto de qualidade no mercado internacional. Isso vem sendo gestado no Governo Kirchner com a aproximação da Argentina com a Rússia. Acordos muito importantes foram celebrados. Acordos até inéditos para a história destes dois países. A Argentina procura se preparar para se apresentar para os investidores internacionais de uma maneira mais sólida, mais firme, mais encorpada. E esta questão do salto de qualidade argentino está na força de sua indústria, que vem caindo há muito tempo. A economia argentina vem num processo de desindustrialização há muito tempo, e o Brasil é a melhor solução para isso. Não foi à toa que o ex-Presidente Lula esteve na Argentina, e o Daniel Scioli sinaliza de forma positiva esperar poder trabalhar com a Presidenta Dilma. Ele percebe que parte dos problemas da Argentina pode ser sanado a partir do aumento das relações comerciais, políticas e sociais com o Brasil, e obviamente o Brasil, que passa por uma situação de instabilidade, vê no mercado consumidor argentino uma maneira também de sair deste antro estreito em que fomos colocados também pelo capital especulativo.

    S: Já há algum tempo se fala na intenção da Argentina de integrar o grupo BRICS, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O grupo BRICS comporta a presença de mais um país sul-americano?

    JCP: Comporta a presença de dois países. Acredito que o BRICS esteja trabalhando para ter a Argentina e a Venezuela – não necessariamente ao mesmo tempo. A entrada da Argentina se dará de forma mais rápida do que se imagina, e a da Venezuela num passo a seguir. Não só o BRICS comporta esses dois países, como precisa deles. A Argentina, um grande celeiro, uma grande indústria agropecuária, e a Venezuela por ser um país petroleiro e que hoje tenta se inserir no mercado internacional. Será muito bem-vinda, para o BRICS, a presença destes dois países.

    Tags:
    União Europeia, Sputnik, BRICS, Daniel Scioli, Néstor Kirchner, João Cláudio Pitillo, Cristina Kirchner, Dilma Rousseff, América do Sul, Venezuela, África do Sul, Índia, América Latina, China, Washington, Argentina, Rússia, Brasil
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