07:21 12 Novembro 2019
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    Bolsa de Valores de Xangai.

    Queda das Bolsas de Valores da China provoca reações em todo o mundo

    © AFP 2019 / Johannes Eisele
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    A queda das duas principais Bolsas de Valores da China nesta segunda-feira, 24, provocou reações em todo o mundo, especialmente nas demais Bolsas da Ásia, nas principais da Europa e ainda em outros continentes.

    Com a queda de 8,49%, a Bolsa de Xangai registrou hoje a maior perda diária desde 25 de fevereiro de 2007, quando a queda foi de 8,8%. Já a Bolsa de Shenzhen, a segunda maior da China, registrou queda de 7,70%. O efeito sobre as demais Bolsas da Ásia foi imediato. Para citar dois exemplos, a Bolsa de Hong Kong fechou em queda de 5,2% e a de Tóquio, no Japão, registrou perda de 4,61. Na Oceania, a Bolsa de Sydney, na Austrália, teve queda de 4,09%.

    Na Europa, quedas expressivas foram registradas em Paris (França) e Frankfurt (Alemanha), com mais de 5%; Londres (Inglaterra) teve perda de 4,50%, enquanto Milão (Itália) e Madri (Espanha) registraram perdas de 4,64%.

    No Brasil, o Ibovespa, índice da Bolsa de Valores de São Paulo, fechou em queda de 3,03%.

    Para o jornalista Mário Russo, especializado em Economia, “a China vem mantendo invejáveis 7,5% a 8% de crescimento econômico ao ano, o que provoca reflexos em todo o mundo. Nós estamos falando de um país que possui a maior população do mundo – em torno de 1,4 bilhão de pessoas – e de uma economia muito elogiada pelo seu desempenho. Se bem que nos últimos anos a economia chinesa não vinha mais crescendo na casa de dois dígitos (10%, 10,5%). Ela vinha se mantendo entre 8,5% e 7,5%. Houve alguma correção de rumos em dezembro de 2014, e a meta para 2015 é crescer até 7%, o que é excelente. A Bolsa de Valores da China reflete tudo isso, e qualquer oscilação em seu movimento produz consequências internas e externas”.

    “Outro fator que influencia a Bolsa de Valores da China é a chamada classe média chinesa, que, mesmo em ascensão e cada vez contando com mais recursos, não tem o hábito nem a cultura de investir no mercado de ações, diz Mário Russo. “Só mesmo uma pequena parcela desta população, que tem informações sobre como funciona este mercado, sabe quando é hora de investir e quando deve se retrair. É o que ocorre em todos os lugares do mundo nos quais os investidores de Bolsa de Valores percebem as oscilações do mercado. A qualquer sinal de turbulência, a qualquer sinal de não cumprimento de vendas, estes investidores emitem ordens de venda de ações. Desta forma, as cotações começam a cair e, em consequência, as Bolsas fecham em queda. É o que está acontecendo na China e em várias partes do mundo.”

    Mário Russo também lembrou que nas últimas semanas as Bolsas da China registraram perdas de 11%, o que, em sua opinião, “são índices muito elevados”. Ainda de acordo com o jornalista, contribuiu para a queda das Bolsas da China o fato de o Governo ter determinado, há algumas semanas, a desvalorização da moeda nacional, o yuan renminbi:

    “Este conjunto de medidas – desvalorização do yuan e estímulo às exportações – serviu para o investidor chinês ligar o sinal de alerta e pensar: se o Governo está mexendo em setores sensíveis da economia, convém segurar as aplicações e observar o que ainda vai acontecer.”

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tags:
    bolsa de valores, yuan, Mário Russo, Madri, Milão, Londres, Frankfurt, Paris, Brasil, São Paulo, Ásia, Xangai, China
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