21:12 26 Janeiro 2020
Ouvir Rádio
    Análise
    URL curta
    0 41
    Nos siga no

    Num espaço inferior a 15 dias, uma segunda grande agência de classificação de riscos, a Moody’s, rebaixou a nota de crédito do Brasil. O analista da agência brasileira SR Ratings, Robson Sato, comentou o tema com exclusividade para a Sputnik Brasil.

    Na terça-feira, 11, a agência norte-americana rebaixou a nota do Brasil de Baa2 para Baa3, mantendo o país na condição de grau de investimento mas apenas uma nota acima do nível especulativo. Além do rebaixamento, a perspectiva (ou outlook, no termo em inglês) foi alterada de negativo para estável. 

    Duas terças-feiras antes, no dia 28 de julho, a agência Standard & Poor’s manteve em BBB- (Triplo B negativo) a nota de crédito do Brasil, alterando porém a perspectiva para negativa. A S&P, como a Moody’s, considera o Brasil ainda na condição de grau de investimento, mas com a reavaliação o país ficou mais próximo de perder o selo de bom pagador, no entendimento de vários analistas econômicos.

    Para o mercado financeiro, as notas das agências de classificação de riscos funcionam como uma espécie de termômetro em relação à capacidade de pagamento dos países analisados.

    A nota BBB- (Triplo B negativo) é apontada como “último degrau do chamado grau de investimento”. Ela é comumente atribuída a países com baixo risco de não honrar suas dívidas junto aos credores internacionais.

    Já a perspectiva negativa revela uma tendência de rebaixamento da nota de um país no futuro, o que pode levar o país a ser incluído no grau especulativo.

    Na opinião de Robson Sato, sócio e analista da agência brasileira de classificação de riscos SR Ratings, “o Brasil está numa trajetória de deterioração”. Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, o especialista afirmou:

    “A leitura dos jornais desta quarta-feira, 12, confere a impressão de que muitas pessoas se sentiram aliviadas porque tanto a Moody’s, na terça-feira, 11, quanto a Standard & Poor’s, em 28 de julho, mantiveram a nota de grau de investimento para o Brasil e atribuíram a condição estável para o país. Entretanto, a situação exige atenção, pois há claros sinais de deterioração econômica.”

    Os ministros da Fazenda e do Planejamento, Joaquim Levy e Nélson Barbosa, reagiram de forma diferente à nota da Moody’s. Levy declarou à imprensa que “ela sinaliza os cuidados que o Brasil deve ter com a sua dívida pública e com a sua economia”, enquanto Barbosa preferiu destacar que o país conserva o grau de investimento.

    Mas, para Robson Sato, a questão precisa ser mais bem pensada:

    “Precisamos levar em conta que os fatos são muito discutíveis, principalmente em relação à saída dos investimentos. O mercado já precificou a fuga destes investimentos, entendendo que isto reflete a real situação econômica do país. Então, é necessário analisar todas estas questões com o máximo de cautela e senso de realidade.” 

    Para os próximos dias, espera-se a manifestação da Fitch, outra grande agência internacional de classificação de riscos, sobre a economia brasileira. Entre os analistas econômicos, a perspectiva é de que a Fitch acompanhe o posicionamento da Moody’s e da Standard & Poor’s, rebaixando igualmente a nota de crédito no Brasil, o que obrigaria o Governo brasileiro a acelerar os procedimentos em relação ao chamado ajuste fiscal. Robson Sato entende, porém, que a questão é outra:

    “Não é preciso esperar pela nota desta terceira agência, mas, sim, tomar providências para melhorar a qualidade da dívida pública. O Ministro Joaquim Levy está certo ao se preocupar com esta questão, porém o mais importante é perceber o ponto a que chegou a nossa economia.”

    Robson Sato também é favorável a uma mudança de postura por parte das agências de classificação de riscos:

    “Estas agências não podem funcionar como obituários, como diz o economista Paulo Rabello de Castro. Elas deveriam sinalizar para os países as reais condições de suas economias e alertar os governos para as consequências da gestão de economias que não produzem os efeitos esperados.”

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Mais:

    Especialista em análise de riscos diz que Brasil não deve se preocupar com nota da S&P
    S&P afirma rating BBB- do BNDES, com perspectiva negativa
    S&P: o rating do Brasil é mantido em BBB-, com perspectiva estável
    Tags:
    economia, classificação de riscos, rating, Sputnik, Fitch, Standard & Poor's, Moody's, Brunno Barbosa, Robson Sato, Joaquim Levy, Paulo Rabello de Castro, Brasil
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar