06:05 22 Outubro 2017
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    Barris de petróleo

    Irã não está interessado em concorrer com a Rússia no mercado de petróleo

    © flickr.com/ Sergio Russo
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    O chefe do departamento de relações internacionais da Companhia Nacional Iraniana de Petróleo, Mohsen Kamsari, declarou que os contratos de fornecimento de petróleo iraniano em 2015 para consumidores tradicionais já foram assinados, e que o Irã está disposto a iniciar as exportações nos menores prazos possíveis após o levantamento das sanções.

    Os consumidores, por sua vez, expressaram interesse em aumentar o volume de petróleo negociado. Nas palavras de Kamsari, levando em conta a nada fácil situação no mercado mundial de petróleo, as previsões econômicas indicam que até o final de 2018 o preço da commodity estará acima dos US$60 por barril.

    Com o recente acordo de aprovação do programa nuclear iraniano, que regulamenta o levantamento de sanções contra o Irã, inclusive no setor de hidrocarbonetos, a perspectiva de um forte aumento dos volumes de produção de petróleo no Irã não apenas garantirá ao país um retorno triunfal ao mercado mundial desta commodity, mas também, em certa medida, poderá trazer dor de cabeça para alguns de seus grandes concorrentes.

    Resta saber se existem chances de o Irã escolher para si um novo segmento no mercado de petróleo para além de importadores tradicionais (China, Índia, Coréia do Sul e Japão), reorientando suas vendas para a Europa, e, quem sabe, nesse caso, atingir também os interesses da Rússia, que continua a exportar petróleo, principalmente na direção ao Ocidente.

    Para conhecer um pouco melhor essas perspectivas, a Sputnik conversou com Manouchehr Takin, economista e especialista independente iraniano em assuntos de recursos energéticos.

    “A questão da venda de petróleo, segundo regras de todas as petrolíferas nacionais ou empresas independentes, ou mesmo corporações estatais, trata de um negócio entre comprador e vendedor. Ao meu ver, nesse caso não podemos colocar a questão de forma a que a venda de petróleo seja um negócio ou cooperação entre dois países. De fato, o princípio do mecanismo de funcionamento do mercado de petróleo é que os exportadores, ou melhor, os produtores de petróleo, procuram formas de vender seu produto, ou seja, estão focados na busca de consumidores finais em potencial. Já para os exportadores, a prioridade consiste na disponibilidade de transporte do produto e no atrativo do preço. Com isso, eu quero destacar que, antes de tudo, os negócios de petróleo, levam um caráter exclusivamente comercial (oferta e procura). O diálogo é estabelecido diretamente entre o vendedor e o comprador. Aquele período em que o fator político desempenhava um papel significativo nesse tipo de transação ficou há tempos no passado” – disse Takin.

    “Obviamente, à época da introdução de sanções contra o Irã, o volume de negócios de petróleo diminuiu significativamente. Nessas condições o Irã conseguiu apenas por meio de negociações se aproximar ainda mais com aqueles países exportadores de petróleo que antes mesmo das sanções apoiavam uma estreita cooperação com o país. Já agora, levando em conta que as sanções econômicas serão levantadas, as empresas petrolíferas estão conseguindo vislumbrar novos horizontes e perspectivas no mercado de petróleo. Me parece que as petrolíferas iranianas serão capazes de encontrar os clientes mais dignos e rentáveis para si. No entanto, considerando que o Irã e a Rússia mantêm relações de parceria e cooperação bastante estreitas em todas as frentes, dificilmente as empresas de petróleo iranianas agirão de alguma forma em detrimento dos interesses da Rússia, ou irão pressionar seriamente as empresas russas do setor no mercado de petróleo. O que vale para as empresas petrolíferas não são as intrigas, mas a lei de oferta e procura” – completou.

    O especialistas destacou ainda que, mediante o levantamento das sanções, é antes de tudo de grande vantagem para o Irã cooperar e reforçar ainda mais a cooperação com seus parceiros tradicionais – importadores do petróleo iraniano. No entanto, o Irã também está disposto a explorar novos horizontes do mercado, porém não em detrimento de seus parceiros já consolidados no Oriente. Manouchehr Takin prevê que a volta do Irã ao mercado global de petróleo não será rápida, mas sim gradual:

    “Naturalmente, com o levantamento das sanções, as empresas de petróleo estão interessadas em grandes volumes de vendas de sua produção pelo preço mais vantajoso possível e mediantes as melhores condições. Sem dúvida o Irã continuará cooperando ativamente com aquele países que durante todo esses difícil período das sanções mantiveram suas relações amigáveis e continuaram comprando petróleo iraniano. No entanto, grandes transações de petróleo serão firmadas gradativamente. Isso porque o acordo alcançado para o programa nuclear iraniano, até onde sei, prevê um levantamento gradual das sanções. Esse período permitirá vislumbrar os volumes que os países, até então impossibilitados pelas sanções de importar petróleo iraniano, estão dispostos agora a comprar do Irã. Para isso é preciso tempo, haverão conversações sobre a política de preços. Mas a prioridade para o Irã continuará sendo a cooperação precisamente com importadores tradicionais, que está dispostas a aumentar os volumes das compras e a oferecer preços vantajosos”.

    Tags:
    relações internacionais, exportação, hidrocarbonetos, sanções, petróleo, Manouchehr Takin, Rússia, Irã
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