07:10 18 Outubro 2017
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    Presidenta Dilma Rousseff durante fotografia oficial da VII Cúpula do BRICS. (Ufa - Rússia, 09/07/2015)

    Especialista vê vantagens no uso de moedas nacionais no comércio entre os países BRICS

    Roberto Stuckert Filho/PR
    Opinião
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    BRICS: organização do futuro (189)
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    O economista Roberto Fendt comenta um dos destaques do balanço final da 7.ª Cúpula do BRICS, realizada nesta semana na cidade de Ufá, na Rússia. Ele fala com exclusividade para a Sputnik Brasil sobre a intenção do bloco de utilizar suas moedas nacionais no comércio entre os cinco países.

    Diretor-executivo do Cebri – Centro Brasileiro de Relações Internacionais, Roberto Fendt explica e analisa o tema do Item 24 da Declaração de Ufá, publicada ao fim do encontro e que diz: “Reconhecemos o potencial para expandir o uso de nossas moedas nacionais nas transações entre os países do BRICS. Pedimos às autoridades relevantes dos países do BRICS continuar a discutir a viabilidade de um uso mais amplo de moedas nacionais no comércio mútuo.”

    A seguir, a entrevista com o especialista. 

     

    Sputnik: Um dos pontos de maior destaque na nota final da Cúpula de Ufá é a disposição dos cinco países BRICS de utilizar as moedas nacionais nas transações comerciais recíprocas. Como o senhor vê esta intenção?

    Roberto Fendt: Esta resolução tem um caráter prático – o fato de que não há nenhum impedimento de que os países usem suas próprias moedas, uma vez que, havendo comércio, o país que tenha um saldo credor pode usar este saldo na moeda do outro país-membro do BRICS para fazer compras naquele outro país.

    S: Existem obstáculos a essas operações?

    RF: O que vejo como um limitador importante é o fato de que, no âmbito dos países BRICS, o volume de comércio é muito expressivo entre Brasil e China, e acredito que em pouco tempo haverá também um fluxo muito grande de comércio entre Rússia e China. Mas, por exemplo, entre Brasil e África do Sul, o volume ainda é pequeno. Onde houver saldos, será um complicador para o país credor acumular reservas da moeda do devedor. Isso já aconteceu com o Brasil na época em que nosso país tinha comércio com os países da Europa Oriental (não a Rússia) e esses países tinham grandes dificuldades de obter moeda estrangeira conversível – o dólar, a libra, o marco, o franco francês e o franco suíço –, e o Brasil foi acumulando saldos. No caso dos países BRICS, eu não creio que isso seja um problema. Porque, se de fato todos os países do bloco aceitarem formalmente o sistema, num saldo, por exemplo, da Rússia com a África do Sul, o rand sul-africano poderá ser usado para pagar importações da Rússia com o Brasil e o Brasil poderá usar estes rands para pagar alguma compra feita à China. Se isso acontecer, penso que será realmente um mecanismo interessante e que permitirá que as reservas em moedas conversíveis desses países sejam utilizadas para assegurar tranquilidade nos balanços de pagamentos de todos eles.

    S: O uso de moedas nacionais dos BRICS substitui o dólar. Os países do bloco ganham ou perdem com esse processo?

    RF: Não perdem nada. Não há nada a perder. Pelo contrário. Ao guardar nas suas reservas internacionais o dólar, o euro e outras moedas conversíveis, elas ficam congeladas nas reservas internacionais do país, para fazer face a qualquer necessidade de financiamento da balança de pagamentos.

    Tema:
    BRICS: organização do futuro (189)

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    Tags:
    moeda, Dólar, sétima cúpula do BRICS, Cebri, Sputnik, BRICS, Roberto Fendt, Europa Oriental, Ufa, África do Sul, Índia, China, Rússia, Brasil
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