08:24 29 Novembro 2020
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    O comentário do presidente do Comitê da Duma para as Relações Exteriores, Aleksei Pushkov, de que a formação da aliança político-militar entre Rússia e China constitui o maior fracasso do Governo Obama, recebeu o apoio do Professor João Cláudio Pitillo, especialista em História da Rússia, que falou com exclusividade para a Sputnik Brasil.

    “Do ponto de vista dos princípios da política externa americana, posicionar-se ao mesmo tempo contra Pequim e Moscou é algo proibido”, afirmou o Deputado Pushkov, em entrevista ao jornal Izvestia. “Isto é perigoso e desvantajoso para os Estados Unidos. Além disso, o poderio da China neste momento está a um nível muito superior ao que estava nos tempos de Mao Tsé-Tung. A formação da aliança político-militar entre a Rússia e a China é o maior fracasso da administração de Obama. Não são os fracassos no Afeganistão, Iraque ou na Líbia, mas esse exatamente”. 

    Os militares da Força Naval da China durante a cerimônia de abertura dos exercícios sino-russos Cooperação Naval 2015
    © Sputnik / Serviço de Imprensa do Ministério da Defesa da Rússia

    O professor brasileiro João Cláudio Pitillo concorda com a teoria do parlamentar russo: “Foi a maior derrota da Administração Obama e também a maior derrota da União Europeia”, diz Pitillo. “Porque a União Europeia, desde que começou o conflito na Ucrânia, insuflado pela Europa, pôs-se no papel de seguir a deliberação de Washington, de tentar isolar a Rússia. Os russos, então, apostaram no fortalecimento dos BRICS e se dedicaram ao relacionamento com a China, o que tornará a Rússia e a China não apenas potências regionais, mas, sim, potências globais”.

    A respeito do comentário de Aleksei Pushkov, de que “a China dá os primeiros passos como potência global”, o Professor Pitillo acrescentou: “A China é um país em franco desenvolvimento, e a Rússia retomou o desenvolvimento que fora interrompido quando houve a troca de regime. E nos últimos dez anos, principalmente nas Administrações do Presidente Vladimir Putin, foi levada em consideração a necessidade de a Rússia ir em busca de novos parceiros no exterior, para poder novamente conquistar seu espaço no mercado internacional”.

    João Cláudio Pitillo acrescenta, destacando: “A Rússia tem feito isso sem usar o imperialismo que é a marca dos Estados Unidos e da Europa. Não se vê um comportamento agressivo das grandes corporações russas, nem a participação em atos belicistas em conjunto com as Forças Armadas do país. É muito diferente do que faz o Governo Obama, que tem apelado para a velha fórmula da guerra, para tentar sair da crise”.

    Sobre o alinhamento que se observa já há algum tempo entre China e Rússia, que têm tomado posições conjuntas, por exemplo, no Conselho de Segurança da ONU, o Professor Pitillo lembra que foram os vetos dos dois países que evitaram um ataque militar do Ocidente contra a Síria e o Irã. “Essa postura diplomática tem sido benéfica não apenas para a Rússia e a China, mas também para o equilíbrio global”.

    Finalmente, João Cláudio Pitillo afirmou à Sputnik Brasil: “Esse fortalecimento dos laços entre Rússia e China vai ter reflexos também no Brasil, porque esses três países, mais a Índia e a África do Sul, estão todos juntos no bloco BRICS”.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    geopolítica, Sputnik, ONU, União Europeia, Izvestia, BRICS, Mao Tsé-Tung, Vladimir Putin, Barack Obama, João Cláudio Pitillo, Aleksei Pushkov, África do Sul, Índia, Washington, Líbia, Afeganistão, Iraque, EUA, China, Rússia
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