11:00 20 Fevereiro 2018
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    Crianças em uma rua de Moscou em 23 de junho de 1941

    Geração dos anos 40: os órfãos da guerra

    © Sputnik/ Anatoliy Garanin
    Opinião
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    Aleksander Medvedovsky
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    Os surpreendentes e elevados números envolvendo recursos humanos, equipamentos, finanças e despesas durante a guerra podem ser considerados incontestáveis provas da loucura humana, da insensatez e da vontade de realizar extravagantes ideias de supremacia de uma nação sobre outra. Ainda mais trágico do que isso são os dados sobre os milhões de mortos; a destruição de cidades, aldeias e nações, famílias, mulheres, homens, crianças, jovens – tudo que representa inestimável valor para cada um de nós.

    As perdas da Rússia nesta lista trágica, num ranking em que ninguém deseja ser o primeiro, são incalculáveis. E não é porque elas são desconhecidas, mas justamente porque são enormes e inesquecíveis.

    Entre essas perdas há um número de 678 mil órfãos – crianças russas –, consequência da Segunda Guerra Mundial. Consequência que deixou marcas por muitos anos em todos os povos que faziam parte da União Soviética – nos seus filhos e nos filhos de seus filhos. E, em primeiro lugar, a indelével, inesquecível marca na vida de minha geração – a Geração de 40.

    Quem foram nossos pais? Foram jovens felizes, apesar de tudo? Jovens que entendiam que poderia não haver o amanhã? Jovens viúvas que não tiveram tempo de ficar adultas, mas que já tinham perdido seus jovens maridos? Quantas delas foram abandonadas à própria sorte? 

    Quem somos nós? A geração nascida na época da guerra de 41 a 45, durante a defesa de Moscou, as Batalhas de Leningrado e Stalingrado, a libertação da Europa e a conquista de Berlim. 

    Talvez sejamos as últimas testemunhas daqueles anos. A geração de nossos pais foi embora. Apenas algumas poucas famílias tiveram a felicidade de não perder seus pais durante a guerra. O tempo fala mais alto.

    Entretanto, nós estamos aqui. Nós, a geração dos anos 40, prova de que a vida sempre vence, e de que é impossível parar a vida. Somos uma lembrança para todos os que pensam de modo diferente. 

    Na véspera de data tão importante para a humanidade, vale a pena lembrar e relembrar aquela imensa tragédia, lembrar aqueles que deram tudo para a vitória. Lembrar, para que nunca mais aquilo se repita.

    Para quem faz tudo para esquecer ou para reavaliar os resultados da Segunda Guerra Mundial, somente esta cifra já deve refrescar a memória: 678 mil vidas entre as crianças russas, a Geração de 1940.

    Tags:
    fascismo, nazismo, Segunda Guerra Mundial, Stalingrado, Leningrado, União Soviética, Berlim, Europa, Moscou, Rússia
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