06:46 14 Maio 2021
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    Os gastos militares aumentam em todo o mundo e a propaganda da nova guerra fria dá seus frutos. Novas “ameaças” trazem grandes lucros a empresas militares e centros analíticos, que pagam para conduzir uma propaganda de guerra, escreve o político e ex-congressista norte-americano Ron Paul em artigo à CNBC.

    Assim, segundo ele, na semana passada, as autoridades da Alemanha declararam a intenção de adquirir outros 100 tanques Leopard. O governo daquele país afirma que essas 100 novas máquinas, que podem custar quase meio bilhão de dólares, são necessárias para responder à nova política “demasiado confiante” da Rússia na região. “E não importa que a Rússia não tenha invadido nem tampouco ameaçado qualquer país da região, ou muito menos um membro da OTAN” — escreve Ron Paul.

    O bunker nuclear norte-americano da época da guerra fria, Cheyenne Mountain, no estado de Colorado, que permaneceu fechado por 25 anos após a queda do Muro de Berlim, foi recentemente reativado. O Pentágono destinou cerca de um bilhão de dólares para a modernização dessa instalação.

    “A empreiteira de defesa militar responsável é a norte-americana Raytheon, que também é a principal patrocinadora de centros analíticos como o Instituto de Estudos da Guerra, responsáveis, por sua vez, pela criação da propaganda de guerra. Tenho a certeza de que esses grandes contratos trazem excelentes retornos para esses investimentos” — escreve o político.

    Ron Paul destaca que a OTAN também dá continuidade às suas custosas atualizações. A aliança está construindo desde 2010 uma nova sede em Bruxelas, e o preço final desse prédio, cuja aparência, segundo Ron Paul, remete à uma garra horrorosa, será de pouco mais de um bilhão de dólares.

    “Isso supera em mais de duas vezes o orçamento previsto. Que trabalho mais inútil! Seria então de se admirar que os dirigentes e generais da OTAN tentam constantemente nos assustar com histórias sobre uma nova ameaça russa?” — indaga Ron Paul.

    Ele destaca que os atuais inimigos dos EUA e da Europa não são os russos, mas sim os contribuintes.

    “Nós somos vítimas dessa escalada inconsolável de gastos militares. (…) As elites temem a chegada da paz, já que esta seria negativa para seus lucros. É por isso que eles tentam minar o acordo com Irã, voltam atrás nas relações com Cuba e promovem a ideia de uma “ameaça vermelha” vinda de Moscou. Não devemos deixarmos nos enganar, acreditando nessa mentira” — conclui Ron Paul.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tags:
    corrida armamentista, OTAN, Ron Paul, EUA
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