15:38 21 Novembro 2017
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    Trabalhadores preparam placa de anúncio da próxima Cúpula das Américas

    Opinião: Os EUA vão participar da Cúpula das Américas para debilitar a América Latina

    © AP Photo/ Arnulfo Franco
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    Começa nesta sexta-feira, 10 de abril, a Sétima Cúpula das Américas. O encontro, a ser realizado no Panamá, terá a participação dos líderes dos países das Américas do Norte, Central, Sul e caribenhos.

    Sobre esta Cúpula, a agência Sputnik Brasil ouviu o Sociólogo Marco Antonio Gandásegui, Hijo, Professor da Universidade do Panamá, pesquisador do Centro de Estudos Latino-Americanos Justo Aresemena, e diretor/editor da Revista Tareas.

    Rádio Sputnik Brasil – Professor Marco Gandásegui, a Sétima Cúpula das Américas, a ter lugar na Cidade do Panamá, em 10 e 11 de abril será realizada no momento em que os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que tentam a reaproximação com Cuba, encontram-se sob a suspeita de estar por trás dos movimentos de desestabilização de governos de países latino-americanos, como Venezuela e Brasil. O que se pode esperar da Cúpula do Panamá, se a última cimeira (Cartagena, Colômbia, 2012) foi considerada um fracasso? 

    MAG — Os Estados Unidos comparecem à Cúpula das Américas com um objetivo central: dividir e debilitar a América Latina para continuar sendo dominante. Isto significa subverter a Venezuela, criar instabilidade em Cuba e isolar os governos latino-americanos. Barack Obama tem a oportunidade de mudar esta situação mas é provável que ele não a aproveite.

    RSB — O que esperar do encontro preliminar entre os Presidentes dos Estados Unidos e de Cuba, Barack Obama e Raul Castro?

    MAG — Se Obama anunciar que os Estados Unidos levantarão o bloqueio contra Cuba, que vão abandonar a base de Guantanamo e por fim à sua política “terrorista” contra a Ilha, então serão dados passos muito positivos entre os dois países, passos estes que beneficiarão o mundo inteiro.

    RSB — Há perspectivas de que Bolívia e Chile, durante a Cúpula, venham a se entender a respeito do pleito boliviano de recuperar o território que dá acesso ao oceano Pacífico? A Bolívia quer recuperar os 400 quilômetros de litoral e 120 mil km² de território que possuía antes da Guerra do Pacífico (1879-1883) e que inclui os portos de Arica e Antofagasta.

    MAG — A OEA (Organização dos Estados Americanos) não incluiu na agenda da Sétima Cúpula das Américas as divergências entre Bolívia e Chile. Nesta Reunião, o Chile não permitirá espaço para que este tema seja debatido.

    RSB — Com quais temas os líderes das Américas devem se preocupar durante a Sétima Cúpula das Américas?

    MAG — Nesta Cúpula da OEA (Organização dos Estados Americanos), é preciso buscar um canal que permita iniciar um debate entre a região e os Estados Unidos. Sobretudo, devido à mudança de correlação de forças em escala mundial. Os Estados Unidos não são mais a mesma potência do Século 20. Mas é preciso frisar que, ao mesmo tempo, a América Latina não demonstra possuir uma força unida.

    RSB — Como o Sr. avalia o estado de tensão entre Estados Unidos e Venezuela?

    MAG — Os Estados Unidos não descansarão enquanto não afastarem a revolução bolivariana do poder na Venezuela. Os Estados Unidos se deram conta de que a sua última ofensiva contra a Venezuela foi inoportuna e está recuando. Mas os Estados Unidos buscarão novos patamares para reiniciar a sua ofensiva contra a Venezuela.

    RSB — Em termos geopolíticos, qual a importância hoje do Panamá para os demais países das Américas?

    MAG — Na conjuntura atual, o Panamá tem um governo que apóia, incondicionalmente, a política de Washington. O Panamá é o único país da América Latina cujo governo entende que a guerra contra o Estado Islâmico é uma cruzada religiosa.

    RSB — Existem perspectivas para a criação de um mercado comum a todos os países das Américas ou deverão subsistir as organizações regionais?

    MAG – Enquanto os Estados Unidos intervierem nos assuntos regionais, será muito difícil criar este mercado comum. Há muitas décadas, surgiu o Mercosul (Mercado Comum Sul-Americano). Depois, surgiu a ALBA (Aliança Bolivariana Para as Américas). Mais recentemente, surgiu a CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos). Todas estas iniciativas enfrentaram a oposição dos Estados Unidos. É difícil avançar em tais condições.  

     

     

     

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    Tags:
    Cúpula das Américas, Organização dos Estados Americanos (OEA), América, América Latina, EUA, Brasil
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