18:09 22 Novembro 2017
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    Sistema de distribuição de gás in Beregdaroc, um dos pontos de trânsito do gás russo para UE

    Opinião: Europa não terá alternativa à energia russa no futuro próximo

    © REUTERS/ Laszlo Balogh
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    Os países europeus importam da Rússia cerca de 35% do volume total de recursos energéticos consumidos. Isso não deve mudar no futuro, revelou a especialista alemã em energia e proteção do meio ambiente, Claudia Kemfert, à SNA Radio da Alemanha.

    Para a Europa, a Rússia continua sendo um fornecedor de energia muito importante. Isso se aplica tanto ao gás, quanto ao petróleo. Os países europeus importam da Rússia cerca de 35% do volume total de recursos energéticos consumidos. Isso não deve mudar no futuro, revelou a especialista alemã em energia e proteção do meio ambiente, Claudia Kemfert, à SNA Radio (Alemanha).

    Segundo Kemfert, a Rússia sempre foi um fornecedor seguro. Agora a Europa precisa reagir à crise atual e pretende adotar medidas concretas. Por um lado, será adotada a estratégia de diversificação. Isso significa que, no futuro, a Europa pretende consumir gás de diversos países. Por outro lado, está sendo desenvolvido o trabalho de fortalecimento das próprias bases energéticas, através das novas fontes de energia e da economia.   

    A Rússia, sob uma perspectiva global, continua sendo um importante exportador de energia para além da Europa. Ela também tenta uma estratégia de diversificação. Nesse contexto, é importante mencionar a Ásia. Gasodutos e oleodutos para a China estão em fase de planejamento. Além disso, a Rússia está visando aumentar o seu papel no mercado internacional através do aumento de produção de gás líquido. Terminais para esse tipo de gás, aliás, que a Europa está construindo na Itália, Espanha, Holanda e países bálticos. Essa tendência deverá ser mantida no futuro.  

    Quando perguntada sobre a atual negociação da Rússia, Ucrânia e UE, a alemã disse que Kiev estaria blefando, ao afirmar que não precisa de gás russo. Abandonar o gás russo, a curto prazo, seria simplesmente impossível. Cada lado da negociação está defendendo o seu ponto de vista, mas um acordo deve ser celebrado no final. Neste momento, com o verão chegando na Europa, as negociações não estão muito acaloradas, pois a necessidade por gás fica mais urgente somente no inverno. De qualquer maneira, Kemfert disse acreditar em um possível acordo satisfatório para todas as partes no dia 14 de abril, durante a próxima reunião sobre o tema em Bruxelas.  

    Voltando à diversificação, a especialista alemã disse não acreditar que o gás de xisto norte-americano viria a suprir as necessidades europeias. Por enquanto, os EUA estariam mais preocupados em abastecer o próprio mercado e a capacidade de exportação de gás em grande escala ainda não foi posta à prova. Por outro lado, mesmo no caso do aumento das exportações dos Estados Unidos, o cliente preferencial seria, provavelmente, o mercado asiático, disposto a pagar um preço mais alto pelo recurso energético. Por isso, mesmo com a diversificação das fontes de energia, a Europa ainda estaria somente visualizando as possíveis saídas da dependência russa.

    Tags:
    energia, gás, entrevista, petróleo, Claudia Kemfert, União Europeia, China, EUA, Rússia
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