01:00 28 Janeiro 2020
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    Egito está aberto para o mundo, revelou o presidente do Egito em entrevista ao diretor-geral da agência de notícias Rossiya Segodnya, Dmitry Kiselev, durante a visita do Presidente da Rússia Vladimir Putin ao Cairo.

    Durante a visita do Presidente da Rússia Vladimir Putin ao Cairo foi celebrado um acordo para criação de uma zona de comércio livre entre o Egito e a União Econômica Eurasiática. Também foram assinados documentos para cooperação em diversas áreas. Está sendo planejada uma ampla participação de empresas russas na construção da primeira usina nuclear do Egito.

    O presidente do Egito Abdel Fattah al-Sisi revelou em entrevista ao diretor-geral da agência de notícias Rossiya Segodnya, Dmitry Kiselev, as novas tendências políticas do Egito, os planos para a ampliação do Canal do Suez, e discorreu sobre o clima para os investimentos no país.

    — A nova política externa do Egito, depois da “revolução de 30 de junho”, visa uma abertura a todas as forças de influência internacional, bem como aos países árabes e aos Estados africanos. Como explicar essas novas tendências?

    — No dia 25 de janeiro, os egípcios começaram a alterar a realidade em que viviam – esse processo foi abrangente e eles tiveram sucesso em suas transformações empreendidas. O problema, porém, consiste no fato de outras forças terem aproveitado as alterações para tomar o poder sobre as tradições e o futuro dos egípcios. Os egípcios temiam pelo seu futuro e pela sua identidade e, no dia 30 de junho de 2013, iniciaram alterações que lhes devolveram o Egito e a sua identidade. Tomando o caminho em direção ao futuro, eles alcançaram o sucesso.

    A política atual do Egito, tal como foi anunciado no meu discurso inaugural, consiste em estarmos abertos para o mundo no âmbito de um rumo que pressupõe moderação e obtenção de consensos, bem como a construção de relações sólidas com todos os países do mundo na ausência de polarização. Nós respeitamos os interesses das outras partes e queremos que os nossos também sejam respeitados. Não temos a intenção de prejudicar os interesses dos outros, nem queremos que os interesses dos outros prejudiquem os nossos. A nossa política visa o estabelecimento da compreensão mútua e da coexistência nas relações entre nós e outros países.

    — Senhor presidente, poderia explicar os projetos mais importantes que o Egito está realizando e especialmente o projeto para desenvolvimento do Canal do Suez?

    Dmitry Kiselev entrevista Abdel Fattah al-Sisi, presidente do Egito
    © Sputnik /
    Dmitry Kiselev entrevista Abdel Fattah al-Sisi, presidente do Egito
     O projeto (de ampliação do Canal do Suez) pressupõe uma abordagem séria. Ele foi bem elaborado e os egípcios foram realmente os únicos a investirem nele. Foram reunidos no total, em 7-8 dias, recursos na ordem dos 8 bilhões de dólares. Para o Egito é uma soma avultada.

    Não é um segredo que o projeto tem sido planejado há vários anos. Há precisamente três anos. Planejamos terminá-lo durante este ano, de forma a facilitar o comércio mundial do norte para o sul – entre a Ásia e a Europa. O alargamento do Canal do Suez permitirá, pela primeira vez, a passagem de um comboio de oito navios simultâneos, e reduzirá o tempo de travessia do canal de 11 para 8 horas – sem paradas, nem esperas. Ao mesmo tempo que um comboio de navios seguirá do norte, outro irá partir do sul, e eles não terão de parar. Antes, os navios que vinham do norte tinham de esperar que passassem os navios vindos do sul e vice-versa. O propósito é criar um corredor de navegação para o desenvolvimento do comércio internacional nos próximos anos.

    — Como estão os preparativos para a conferência internacional de Sharm el-Sheikh, planejada para o mês de março?

     Nós apreciamos a posição atual da Rússia nas relações com o Egito e declaramos aos investidores russos que vocês possuem grandes possibilidades para investimento no Egito, este coração do mundo, coração do Oriente Médio, que se estende da África à Europa e até ao Golfo Pérsico. Continuamos abertos e queremos melhorar ainda mais o clima para investimentos até a próxima conferência. Por isso, apelamos a todos os investidores para que participem. Durante a conferência serão apresentados projetos para desenvolvimento conjunto com base na legislação em vigor para os investimentos, que garante e facilita os fluxos de capital egípcio e estrangeiro. Podemos declarar que todos terão oportunidades para investir e afirmamos que o clima para investimentos e os processos de licenciamento para a realização de projetos estarão longe de serem burocráticos, ou serão mesmo desburocratizados. Além disso, estamos trabalhando contra a componente de corrupção.

    — As posições do Cairo e de Moscou, relativamente a uma série de problemas regionais, são semelhantes em muitos aspetos. Isto se aplica ao combate ao terrorismo e à resolução do conflito na Síria. Quais seriam as outras questões regionais que o Egito e a Rússia poderiam discutir, ou mesmo, em quais temas poderiam cooperar para sua solução?

     Quanto à crise na Síria, somos contra qualquer possibilidade de escalação para além do nível atual da ameaça à segurança e à estabilidade na região do Oriente Médio. Somos obrigados a reconhecer que atualmente no território da Síria existe uma enorme quantidade de elementos terroristas e extremistas. Esses elementos, se não forem controlados agora na Síria, com tempo irão se alastrar para fora dela e, por isso, devemos sempre seguir no sentido de superar este cenário.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tags:
    entrevista, Abdel Fattah al-Sisi, Dmitry Kiselev, Vladimir Putin, Egito, Rússia
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