12:50 23 Agosto 2017
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    Jornalistas brasileiros reagem à resolução do Parlamento Europeu contra a mídia russa

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    Resolução europeia contra Sputnik (22)
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    "Este tipo de comparação é totalmente inadequado, causa indignação e não faz o menor sentido", disse o jornalista Jesus Chediak, diretor do Departamento de Cultura da ABI – Associação Brasileira de Imprensa, ao comentar a resolução do Parlamento Europeu que comparou a Rússia ao Daesh.

    O projeto de resolução foi apresentado pela deputada polonesa Anna Elzbieta Fotyga. O documento afirma que a Rússia faz propaganda contra a União Europeia e que seus métodos são comparáveis aos do Daesh, a organização terrorista autodenominada Estado Islâmico.

    Dos 691 parlamentares que participaram da votação do projeto de resolução, 304 votaram a favor, 179 foram contra e 208 se abstiveram.

    Segundo a parlamentar polonesa, os métodos de propaganda da Rússia se assemelham aos do Daesh. Em suas críticas ao comportamento da mídia russa, a Deputada Anna Elzbieta Fotyga citou a agência Sputnik, o canal de TV RT, a Fundação Russkiy Mir e a Agência Federal de Assuntos da Comunidade dos Estados Independentes, de Compatriotas no Exterior e Cooperação Internacional Humanitária da Rússia (Rossotrudnitchestvo).

    O documento aprovado pelo Parlamento Europeu compara as ações de contenção da Federação da Rússia à resistência ao grupo terrorista Daesh (que é proibido na Rússia e faz parte da lista de organizações terroristas das Nações Unidas). De acordo com a publicação oficial "EU Observer", Bruxelas pode destinar uma verba de 1 milhão de euros (R$ 3,6 milhões) ao grupo de trabalho encarregado da contenção da Rússia na área midiática. O documento insiste que a Rússia "está usando de uma maneira agressiva um vasto leque de ferramentas e instrumentos" para enfraquecer a União Europeia.

    Ao comentar a resolução do Parlamento Europeu, o jornalista brasileiro Jesus Chediak afirmou que "a mídia ocidental tem toda a autonomia de publicar o que quer, da forma como quer e quando quer. Então, por que nós vamos provocar restrições a algumas outras mídias, na medida em que estas mídias têm todo o direito de veicular o que quiserem. Agora, é um absurdo comparar a Rússia ao Daesh. É preciso respeitar a determinação dos povos e a forma como eles se colocam perante o mundo. Do contrário, nunca vamos encontrar a paz".

    Também para o jornalista Gilberto de Souza, diretor e editor-chefe do jornal "Correio do Brasil", a comparação feita pelo Parlamento Europeu é improcedente e totalmente absurda:

    "Eu só posso atribuir este tipo de comparação a um desespero muito grande da União Europeia e do Parlamento Europeu diante da importância mundial da Rússia. Além de esta comparação entre Daesh e mídias russas não fazer o menor sentido e estar fora de qualquer lógica, ela reflete algo muito grave que está acontecendo em escala global – o crescimento do fascismo e da extrema direita pelo mundo. A Europa está assumindo posições radicais de direita contra pessoas e temas sociais da maior importância, e a comunidade internacional parece não estar se dando conta do enorme risco que isto representa. Há motivos de sobra para se preocupar com vários países da Europa. Basta observar o que está acontecendo na Espanha, na França, na Alemanha, na Áustria e até mesmo na Ucrânia, só para citar alguns exemplos."

    Tema:
    Resolução europeia contra Sputnik (22)

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    Tags:
    meios de comunicação, acusação, mídia russa, propaganda, Daesh, Anna Fotyga, União Europeia, Europa, Rússia, Brasil
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