15:46 19 Setembro 2019
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    'Oposição venezuelana não tem como tirar Maduro, agora, do poder'

    George Castellanos / AFP
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    A Venezuela vive dias cada vez mais tensos. No domingo, 23, a Assembleia Nacional, dominada pela oposição, realizou sessão extraordinária exigindo que o Presidente Nicolás Maduro seja julgado por violar a democracia.

    Na raiz da questão entre a Assembleia e o presidente da República está a resistência de Nicolás Maduro em convocar um referendo revogatório para este ano. Este mecanismo constitucional, que só pode ser acionado após dois anos de governo, permite ao eleitorado comparecer às urnas para avaliar o desempenho do presidente da República.

    Se o referendo for realizado ainda em 2016 e o povo venezuelano desaprovar o Governo Maduro, novas eleições terão de ser convocadas, e as chances de a oposição sair vitoriosa do pleito são muito grandes. Porém, se o referendo for realizado em 2017 e Maduro for reprovado, o chavismo continuará no poder, pois quem assumirá o Governo será o Vice-Presidente Jorge Arreaza.

    Esta resistência de Nicolás Maduro em convocar o referendo revogatório levou a Assembleia Nacional a realizar sessão extraordinária no domingo, 23, para pedir que o presidente seja processado por violação à ordem democrática.

    Para o professor de Relações Internacionais da USP, Rafael Villa, especialista em políticas latino-americanas, todo o impasse político naquele país gira em torno desta questão. Venezuelano de nascimento, Villa analisou os fatos em entrevista à Sputnik:

    "O ponto nevrálgico de toda esta situação se dá em torno do referendo revogatório. A discussão em torno de sua convocação, que é plenamente legal, é alimentada pela polarização que se formou na Venezuela. De um lado, temos Nicolás Maduro e seus seguidores; de outro, uma oposição que se tornou majoritária na Assembleia Nacional e que não poupa críticas ao presidente. Nesta queda de braço em que a Venezuela se transformou, a grande prejudicada é a população."

    Segundo o Professor Rafael Villa, "o quadro se agrava na Venezuela porque a discussão em torno do referendo revogatório se transformou numa questão de vida ou morte. A oposição quer tirar proveito do enfraquecimento da economia, da radicalização política e dos problemas sociais que se intensificam. Já o Governo afirma que a situação está dentro do mais absoluto controle".

    Na opinião de Rafael Villa, a oposição venezuelana não tem como afastar Nicolás Maduro do poder neste momento:

    "A oposição da Venezuela está dividida em pelo menos três correntes – a de Henrique Capriles, a de Julio Borges e a de Leopoldo Lopes, que está preso. Qual destas correntes o povo venezuelano seguiria e apoiaria? Neste momento, não há clareza para uma definição. Por isso, não vejo clima para que se fale, ainda que remotamente, numa possível deposição de Nicolás Maduro. Certamente ele seguirá governando a Venezuela."

    Quanto ao tão falado desabastecimento dos gêneros de primeira necessidade na Venezuela, Villa tem uma percepção muito clara do que está acontecendo:

    "Não há falta nem escassez de produtos na Venezuela. O que há é uma intensa especulação com esses gêneros. Grupos poderosos, predadores, que nós chamamos de ‘bachaqueos’, adquirem esses produtos em grandes quantidades, a preços subsidiados, e os revendem a preços exorbitantes. É a ação dos intermediários e dos especuladores que provoca o pseudodesaparecimento dos produtos e leva o povo venezuelano a procurar outros países, como o Brasil, por exemplo, onde pode comprar os artigos a preços acessíveis."

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    Tags:
    escassez, eleições presidenciais, referendo revogatório, oposição, Henrique Capriles, Nicolás Maduro, Brasil, Venezuela
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