03:12 20 Novembro 2019
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    Rodrigo Maia comemora, no plenário, sua eleição para a Presidência da Câmara
    Fábio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

    Rodrigo Maia – Exclusivo: 'Vim para pacificar a Câmara dos Deputados'

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    Eleito no final da noite de quarta-feira, 13, para a Presidência da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) começa a definir seus planos para cumprir uma espécie de mandato-tampão, até 1 de fevereiro de 2017. Ele diz que sua eleição “sinalizou a vontade de uma grande maioria pela pacificação das relações na Câmara”.

    Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, o Deputado Rodrigo Maia diz que pretende atuar como um “pacificador” e que sua meta é colocar em pauta todos os projetos de interesse do Poder Executivo que estão aguardando votação pela Câmara desde a deflagração do processo de cassação de mandato do seu antecessor, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), processo aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça para ir a julgamento do Plenário.

    Apesar de toda a pressão dos deputados contrários a Cunha, que desejam votar sua cassação logo na primeira semana de agosto, quando o Congresso Nacional retomará seus trabalhos, Maia declara que ainda está impedido de fixar uma data para este julgamento, para não beneficiar nem prejudicar Eduardo Cunha.

    A seguir, a íntegra da entrevista com o presidente da Câmara dos Deputados.

    Câmara dos Deputados
    Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

    Sputnik: Quais são suas prioridades para o início efetivo do trabalho, que se dará dentro de aproximadamente 15 dias, quando a Câmara dos Deputados e o Congresso Nacional retomarem os trabalhos?

    Rodrigo Maia: Primeiro, a minha eleição sinalizou a vontade de uma grande maioria pela pacificação das relações na Câmara dos Deputados. A oposição precisa ter seu espaço garantido, mas esse clima de radicalismo vem prejudicando muito o Brasil. Acho que precisamos, a partir de agosto, de muito diálogo, tentando construir consensos e organizar a agenda econômica, que é uma forte prioridade do país. Nós precisamos discutir e aprovar reformas que discutam a reorganização das despesas públicas. Os gastos públicos brasileiros hoje estão muito acima de sua capacidade, o brasileiro e as empresas brasileiras não têm mais capacidade, porque estão endividadas, de colaborar com a criação de impostos e aumento de alíquotas. Cabe ao Parlamento, junto com o Governo, a construção de reformas que de fato transformem esse Estado brasileiro, que da forma que está, pelo seu aumento crescente do déficit, do aumento crescente da dívida pública, tem impactado direto a vida das pessoas, com taxas de juros altas, com desemprego crescente e com o fechamento de milhares de empresas no Brasil. Acho que nossa missão fundamental é gerar o mínimo de paz na Casa, conseguir construir junto com o Governo uma agenda que possa gerar, ou pelo menos sinalizar, rapidamente, um encaminhamento para os próximos anos da redução da relação dívida/PIB, da redução do déficit público brasileiro, para que os atores econômicos voltem a confiar no Brasil e possam colaborar muito, até porque o Governo brasileiro e as empresas brasileiras têm poucas condições hoje de voltar a investir no Brasil, voltando a gerar emprego neste país.

    S: Há inúmeros projetos de interesse do Poder Executivo pendentes de votação na Câmara dos Deputados. Dentre esses projetos, quais o senhor reputa como de maior importância?

    RM: Das coisas que estão pendentes, o projeto do Pré-Sal é muito importante para que a Petrobras não tenha o monopólio da extração mas tenha a preferência. Ela decide o que ela quer e o que ela pode, até porque o seu nível de endividamento também é muito alto hoje. Temos a renegociação da dívida dos Estados, que é muito importante que seja feita, já que a situação dos Estados é muito difícil. Então, precisa se garantir um fôlego, um alongamento das dívidas. Temos também a PEC do teto de gastos públicos, que já está na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, e precisamos dar um ritmo mais rápido a ela para que possamos avançar nessa sinalização aos atores econômicos de que o Brasil, o Congresso, a Câmara, os três Poderes estão juntos para superação da crise.

    S: E esta crise também está muito relacionada aos dois assuntos que mobilizam a opinião pública nacional e internacional sobre o Congresso Nacional. Um deles é o julgamento em Plenário do processo de cassação do Deputado Eduardo Cunha, a quem o senhor sucede na Presidência da Casa. Eu pergunto se o senhor já tem uma data em mente para quando marcará esse julgamento?

    RM: Eu pretendo fazer essa votação de uma forma justa para aqueles que querem defendê-lo e para aqueles que querem cassá-lo. E isso só é feito quando se tem um quórum acima de 450 deputados. Eu não sei quando, porque os trabalhos voltam bem no meio das convenções partidárias, do dia 20 de julho até o dia 5 de agosto. Depois tem as Olimpíadas. E depois começam as eleições. Eu não quero dar uma data. Se eu disser dia 8 e o quórum do dia 8 for de 300 deputados, eu não colocarei em votação o processo porque posso ser acusado de estar beneficiando ou prejudicando o candidato. O justo, para todos, é um dia de quórum elevado, mesmo que isso possa demorar mais uma semana. Eu não vou ficar no ritmo de pautar e voltar atrás, pautar e voltar atrás, porque o desgaste de desmarcar é muito maior do que esperar uma data certa no curto prazo para que essa matéria seja julgada.

    S: A outra questão que mobiliza as atenções para o Congresso Nacional é o julgamento, pelo Senado Federal, do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. Qual a sua expectativa em relação a esse julgamento?

    RM: Eu acredito que ela será afastada definitivamente. É apenas a minha opinião, não sou senador.

    S: Gostaria de voltar à questão que o senhor mencionou no início de nossa entrevista, que é o de exercício do papel de pacificador. De que forma o senhor pretende exercer esse papel? Na eleição para a Presidência da Câmara o senhor conseguiu algo inteiramente peculiar: o senhor aglutinou votos do PSDB, do seu próprio partido, o DEM, do PPS, do PT e de partidos ligados à base aliada da presidente afastada Dilma Rousseff. Como o senhor exercerá esse papel de pacificador?

    RM: Eu acho que com muito diálogo. Não há dúvida nenhuma que eu sou oposição ao PT e que eu não vou mudar nunca minha posição sobre isso, porque nós temos diferenças ideológicas e de princípios, mas eles sabem que eu sou uma pessoa confiável e que o grupo que eu represento é um grupo que tem posições claras, não fica indo de Governo à oposição ao bel-prazer dos ventos. O que nós queremos é ter esse diálogo de confiança. A oposição é minoria, e dentro do seu tamanho precisa ser respeitada. Esses foram os motivos dessa aliança que já ocorreu no passado, não é novidade, mas que nesse momento de radicalismo ninguém esperava que pudesse ocorrer.

    S: E, para concluir, uma pergunta que diz respeito ao seu pai, o ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Maia: o que ele lhe disse ao tomar conhecimento de sua eleição para a Presidência da Câmara dos Deputados?

    RM: Como um pai que tem uma relação muito boa com o filho, certamente ficou muito feliz, orgulhoso, me desejou sorte, muita paciência e muita humildade para conseguir conduzir os trabalhos na Câmara dos Deputados e, principalmente, ouvir. Ouvir mais do que falar.

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    Tags:
    cassação, eleição, julgamento, impeachment, economia, PPS, DEM, Câmara dos Deputados, PSDB, PT, Rodrigo Maia, Michel Temer, Eduardo Cunha, Dilma Rousseff, Brasília, Rio de Janeiro, Brasil
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