05:46 19 Dezembro 2018
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    Erika Santelices/AFP

    Deputado denuncia ação do Brasil para impedir Venezuela de assumir presidência do Mercosul

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    A posse da Venezuela na presidência rotativa do Mercosul, no próximo dia 31 de julho, está ameaçada por uma manobra do Brasil, segundo denúncia do deputado federal Saguas Moraes (PT-MT), integrante da comitiva brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul). Pelo acordo entre os países membros, a Venezuela deve substituir o Uruguai no posto.

    Unindo forças com o Paraguai — que solicitou à Organização dos Estados Americanos (OEA) a aplicação da Cláusula  Democrática, suspendendo a Venezuela do bloco por ruptura institucional —, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, defende que o Mercosul tenha mais tempo para decidir se a Venezuela pode ou não assumir a presidência do bloco. Na terça-feira, Serra esteve em Montevidéu para obter o apoio do Uruguai à proposta, mas não foi bem sucedido na reunião com o presidente Tabaré Váquez e o chanceler Rodolfo Novoa. Mesmo admitindo que a Venezuela é "uma democracia autoritária", Novoa observou que não há uma ruptura institucional no país caribenho.

    "O que acontece é que o jurídico se impõe sobre o político, e o político seria não dar a presidência à Venezuela", disse Novoa, assegurando que é intenção do Uruguai de passar a presidência aos venezuelanos em 31 de julho para os próximos seis meses.

    A proposta defendida por Serra foi muito mal recebida pela chanceler venezuelana Delcy Rodriguez. Em sua conta no Twitter, ela acusou o ministro brasileiro de integrar um complô contra o país, e considerou que as declarações de Serra foram "insolentes e amorais".

    Para piorar o clima de confronto com o governo de Nicolás Maduro, o presidente da Argentina, Maurício Macri, ofereceu o país para ocupar a presidência interina. A Venezuela, que ingressou no Mercosul em 31 de julho de 2012, vem desde então sendo criticada no âmbito do bloco comum. Primeiro pelo presidente do Paraguai, Horacio Cartes, que substituiu Fernando Lugo, deposto por um impeachment que durou três dias e depois pelo presidente Maurício Macri, que terminou com quase duas décadas de governos kirchneristas na Argentina.

    O deputado Saguas Moraes também não poupa críticas à proposta do chanceler brasileiro.

    "A única justificativa é porque o chanceler Serra, chanceler de um governo ilegítimo e golpista, está tentando impedir que a Venezuela possa assumir a presidência do Mercosul. Isso é rotativo, já tem uma combinação entre os países, há uma sequência de assunção desse mandato. O ministro José Serra, na verdade, quer acabar com o Mercosul. Ele é contra o Mercosul, sempre defendeu a política bilateral Brasil-Estados Unidos. Ele não considera o Mercosul importante, e a vontade dele é extinguir o Mercosul. Ele (Serra) fala grosso com a América do Sul, com a África, mas fala fino com os Estados Unidos. Com os EUA ele fala sempre fininho e sempre está de joelhos. É um chanceler que não poderia ter outra posição, até porque ele advém de um golpe."

    Quanto à proposta de Macri de que a Argentina assuma a presidência do Mercosul no lugar da Venezuela, o parlamentar brasileiro no Parlasul também alfineta:

    "O presidente Macri tem um perfil muito parecido com o governo do ministro Serra, parece que tem uma sintonia de pensamento. Ele jamais poderia se colocar à disposição e dar um golpe na Venezuela e assumir a presidência do Mercosul. Parece que eles estão sintonizados no golpe. Parece que gostou do golpe no Brasil e está se colocando à disposição de um golpe na Venezuela."

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    Tags:
    cláusula democrática, Mercosul, suspensão, presidência, comércio, Parlasul, Organização dos Estados Americanos (OEA), Itamaraty, Maurício Macri, Horacio Cartes, José Serra, Delcy Rodriguez, Tabaré Vázquez, Paraguai, Uruguai, Venezuela, Argentina, Brasil
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