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    Suspense: Sérgio Machado pede mais 20 dias para apresentar provas contra Temer

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    O ex-senador e ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, solicitou ao Ministro Teori Zavascki, do STF, prazo adicional de 20 dias para apresentar provas mais robustas contra nomes expressivos do PMDB (inclusive do presidente interino da República, Michel Temer) num esquema de propinas que beneficiou políticos e empresários.

    Sérgio Machado cumpre pena em prisão domiciliar por envolvimento em questões relacionadas à corrupção apuradas no âmbito da Operação Lava Jato. Ele tinha prometido entregar o material no início desta semana, porém sua defesa apresentou requerimento ao Supremo Tribunal Federal pedindo maior prazo para consolidar e dar maior robustez às provas.

    As delações de Sérgio Machado já levaram ao afastamento de dois ministros do Governo interino (Romero Jucá, do Planejamento, e Fabiano Silveira, da Transparência, Fiscalização e Controle), precipitaram a saída de um terceiro (Henrique Eduardo Alves, do Turismo) e levaram o procurador-geral da República a pedir ao Supremo Tribunal Federal a decretação da prisão dos Senadores José Sarney, Renan Calheiros e Romero Jucá, pedidos negados pelo STF.

    “As revelações de um ex-aliado do partido que hoje está no poder mostram o quanto se conspirou para montar o golpe que levou ao afastamento da Presidente Dilma Rousseff”, afirma o Deputado Federal Valmir Prascidelli (PT-SP), para quem “as próximas revelações do ex-Senador Sérgio Machado poderão fragilizar ainda mais o Governo do presidente interino Michel Temer.”

    O deputado petista falou com exclusividade à Sputnik Brasil, comentando que “as revelações da delação de Sérgio Machado têm sido bastante impactantes. Primeiro as gravações feitas por ele dão conta de desvios de recursos bastante volumosos por parte de lideranças importantes do PMDB; segundo, aquelas gravações que dizem respeito à arquitetura feita por esses agentes com relação ao golpe na tentativa de tirar a Presidente Dilma exatamente para que fossem paralisadas as investigações com relação à Lava Jato, para não atingir esses agentes. E agora o fato mais grave ainda, que aponta a possibilidade de envolvimento direto do Vice-Presidente Michel Temer no recebimento de recursos provenientes desses desvios”.

    Valmir Prascidelli diz ainda que “a nossa expectativa é de que isso de fato possa ser apresentado, e que o Supremo Tribunal Federal possa divulgar isso o mais rápido possível para a população, para que os brasileiros possam saber, de forma bastante clara, o que há de envolvimento desses agentes, especialmente do Vice-Presidente Michel Temer, até porque no Senado há a tramitação do processo de impedimento da Presidente Dilma e isso não pode ficar escondido, caso, evidentemente, tenha o envolvimento do vice-presidente, porque é ele que será beneficiado diretamente dessa votação no Senado”.

    Sobre o fato de que o Governo interino já perdeu três ministros com a sequência de delações feitas por Sérgio Machado e considerando a hipótese de as provas contra Temer apresentadas ao STF serem de fato consistentes, o Deputado Valmir Prascidelli argumenta:

    “Eles estão tentando conduzir um processo ilegítimo, sem nenhum crime cometido pela Presidente Dilma, e creio que o Brasil não aceitará, com provas contundentes com relação ao vice-presidente, que ele possa assumir oficialmente a Presidência da República, repito, se houver provas contundentes que o envolvam. A renúncia é um instrumento… Claro que o Senado terá que analisar esse fato. Por isso eu acho que tem que haver rapidamente uma decisão com relação a essa delação que eventualmente o Sérgio Machado fizer, para que isso possa servir como um instrumento de avaliação para os senadores. Se não, corremos o risco de ter efetivamente um Governo que não tem a menor condição política e a menor condição ética de administrar o país.”

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    Tags:
    prisão, corrupção, Operação Lava Jato, PT, PMDB, Comissão de Constituição e Justiça, STF, Henrique Eduardo Alves, Romero Jucá, Valmir Prascidelli, Sérgio Machado, Michel Temer, Dilma Rousseff, Brasília, Brasil
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