08:28 05 Abril 2020
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    Movimento #OcupaMinc garante que não vai dialogar com o governo

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    Após ocupar prédios do Ministério da Cultura (MinC) e da Fundação Nacional das Artes (Funarte) há mais de duas semanas, em 20 capitais, o movimento #OcupaMinc garante que não pretende desocupar os espaços e nem vai sentar para negociar qualquer tipo de pauta com o novo ministro da Cultura, Marcelo Calero.

    Em Belo Horizonte, o ator, professor de teatro e integrante do #OcupaMinc, Munish (ele só se identifica por este nome) diz que o  afastamento da presidente Dilma, aprovado no Senado, deu origem ao movimento, que se consolidou com a notícia de que o governo do presidente em exercício Michel Temer iria transformar o MinC em secretaria e subodiná-lo ao Ministério da Educação (MEC).

    "Todos os artistas se reuniram aqui em Belo Horizonte e decidimos tomar em ocupação a Funarte. Há 16 dias estamos firmes e fortes na nossa decisão de luta. A ocupação não tem data para terminar porque, apesar de ter voltado o MinC, nós não conversamos com esse governo, que não reconhecemos. A nossa pauta é 'Fora Temer'. Não é só o MinC, esse que não nos representa. Estamos aqui no 'Fica Dilma' porque acreditamos que somente com o retorno dela ao cargo estaremos numa verdadeira democracia."

    Munish diz que o movimento também abraça a causa "Nenhum direito a menos", que engloba todos os movimentos sociais da cidade, a juventude, as mulheres, os negros, o LGBT e o movimento de saúde, unificados no mesmo pensamento.

    O integrante do #OcupaMinc em Belo Horizonte diz que não há o que conversar com o ministro da Cultura.

    "Se ele aceita estar em conluio com um governo golpista que faz o que fez e está tirando os direitos sociais da população, ele está conivente com essa política, e não é dando ministérios para os artistas que eles vão conseguir nos dobrar. Não estamos lutando unicamente pela causa da arte, a nossa luta é muito maior. Nossa luta é contra esse governo e todas as medidas de austeridade que ele vem tomando contra o povo brasileiro com essa visão entreguista do nosso patrimônio, um projeto neoliberal que destruiu a Europa. Estamos vendo na Argentina esse presidente com quatro meses de governo e um milhão e meio de pessoas já voltaram para a miséria. A gente não quer isso no Brasil."

    No Rio, uma das ocupações mais simbólicas, a do Palácio Gustavo Capanema, no Centro, chega a terceira semana realizando nesta segunda-feira, 30, nova manifestação convocada pelo #OcupaMinc, Frente Povo Sem Medo e pela Frente Brasil Popular. Com slogans como "Não reconhecemos governo golpista", "Não negociamos com usurpadores da democracia" e "O Capanema é resistência, é cultura de luta. Paramos tudo!", os manifestantes afirmam que o movimento busca contruir uma unidade, somar e potencializar forças e lutas culturais, artísticas e políticas nas suas mais diversas expressões.

    Os manifestantes também alegam que não bastasse o ator Alexandre Frota se somar à comitiva recebida pelo ministro interino da Educação, Mendonça Filho, o programa Escola Sem Partido (ESP) dominará várias mesas do Seminário sobre a Base Nacional Comum Curricular, na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. Segundo eles, figuras como Bráulio de Matos e o Pe Orley Silva, porta-vozes do movimento, terão tempo e espaço para defender a proposta diante de uma plateia formada, em boa parte, por lobbistas do projeto.

    Em Salvador, também a sede do Ministério da Saúde foi ocupada nesta segunda-feira por profissionais da saúde, professores e estudantes. Desde as declarações  do ministro interino sobre reduzir o SUS Sistema Único de Saúde, o setor está atento e realizando atos por todo país. A ocupação do prédio também pede a saída imediata de Michel Temer. 

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    Tags:
    protestos, estudantes, ocupação, cultura, MEC, Michel Temer, Marcelo Calero, Brasil
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