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    Ato dos Movimentos Sociais em Defesa da Democracia, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo. 17/04/2016

    Especialista vê sinal de instransigência do novo governo no diálogo com movimentos sociais

    Paulo Pinto/ Agência PT
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    As declarações do novo ministro da Justiça e Cidadania, Alexandre de Moraes, de agir com rigor em manifestações de movimentos sociais que trangredirem a lei começa a preocupar especialistas no assunto, que temem a volta de uma marginalização dos protestos.

    Para o professor do Departamento de Ciências Políticas e Econômicas da Universidade Estadual Paulista Marcos Cordeiro Pires, a colocação de secretarias importantes do governo Dilma sob o comando do Ministério da Justiça e Cidadania sinaliza um possível retrocesso na liberdade de expressão.

    "Quando se observa que se coloca a Secretaria de Promoção de Igualdade Racial a Secretaria de Mulheres e a de Direitos Humanos, que tinham status de ministério, e as submetem ao Ministério da Justiça e particularmente ao doutor Alexandre de Moraes, que já teve uma ação bastante autoritária como secretário de Segurança de São Paulo. Isso indica que na perspectiva do governo Temer o movimento social é um caso de polícia, como era na década de 1920 do presidente Washington Luiz. É uma má sinalização porque, antes de apontar para uma reconciliação nacional, está indicando que eles estão buscando o confronto e que estão chamando os movimentos sociais para levantar a cabeça para, posteriormente, bater com o pau na cabeça desses movimentos sociais. Isso para um país fraturado, que tem muita intolerância, é uma sinalização desastrosa desse governo."

    Segundo Pires, a nova equipe do Temer, de maneira geral, reflete as forças que desde 2013 estão tentado tirar o PT do poder.

    "Lá tem PSDB, PMDB, PTB, Democratas, PPS, as forças que são mais conservadoras no aspecto político brasileiro. Todos os ministérios que foram eliminados são ministérios que não têm nenhuma influência no gasto público, mas eram ministérios importantes na medida em que sinalizavam o interesse do governo anterior com relação às políticas públicas."

    Segundo o professor, uma questão importante para a economia é a expectativa, o clima que se cria para estimular os investimentos e o próprio consumo.

    "Grande parte da crise econômica que estamos vivendo é fruto de um terrorismo midiático que começou em março de 2013 justamente quando a taxa de juros real para o especulador brasileiro caiu ao nível de 0,75% ao ano. O juros em março de 2013 eram de 7,25%, a Selic nominal, descontando 6,5% de inflação, o lucro do especulador no Brasil era de apenas 0,75%. A partir de então toda a mídia nacional e estrangeira começou a se coordenar contra o governo Dilma Rousseff e todas as notícias selecionadas pela grande imprensa e particularmente pela cadeia Globo de Televisão eram extremamente negativas, mesmo quando tinha um quê de positivo. Com a entrada do governo golpista, a minha expectativa é que essa mída, que ajudou a piorar muito a situação, ela consiga contribuir com o novo governo pintando a realidade de cores mais rosa."

    Pires observa, porém, que a atual crise tem uma característica real, dentre outras coisas o estrangulamento do setor externo, com a queda dos preços de commodities desde 2014, derrubando cotações de minério de ferro, petróleo, açúcar, soja, dentre outras. Em 2014, segundo ele, a balança comercial produziu déficit e só reverteu isso em 2015 e nos primeiros meses de 2016 por duas questões importantes na economia local: desvalorização cambial de mais de 30% e o arrocho interno que acabou fazendo com que a economia local deixasse de importar e liberasse mais produtos para exportação a despeito da queda no preço das commodities.

    "Outra questão é a do gasto público. Enquanto você teve uma bonança na economia internacional, o Estado brasileiro assumiu muitas funções que são justas, como mais universidades, assistência social e melhoria do salário mínimo. O problema é que hoje, com a queda da arerecadação e com a perda do poder de compra do país no exterior, aqueles gastos estão pressionando as contas públicas. Imagino, como já indicaram, que a solução para esse problema é cortar gastos sociais. Ninguém vai falar para diminuir o tamanho da taxa de juros para evitar esse peso na dívida pública. Quem tende a pagar a conta é o povo mais pobre e trabalhador."

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    Tags:
    reforma, protestos, gastos, cortes, Ministério da Justiça, Michel Temer, Brasil
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