02:49 27 Janeiro 2020
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    Especialista descarta retomada econômica sem medidas de ajuste fiscal

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    A volatilidade das mudanças no cenário político das últimas semanas tem imposto uma dose adicional de dificuldades ao vice-presidente Michel Temer para montar uma grade de nomes para um novo ministério na eventualidade da concretização do impeachment da presidente Dilma Rousseff agora em discussão no Senado.

    Às intensas negociações feitas pelos partidos que apoiam a oposição na tradicional disputa de cargos, uma das maiores dificuldades, segundo interlocutores próximos ao vice-presidente, acontece justamente no núcleo econômico do novo governo. Embora dois nomes já estão dados como certo — o de Henrique Meireles à frente da Fazenda e de Romero Jucá (PMDB-PE) no Planejamento — nichos importantes continuam sem ter um nome favorito, quer na esfera do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, na Caixa Econômica Federal, na Petrobras e até no Banco Central, onde vêm sendo cogitados nomes de Ilan Goldfajn, Eduardo Loyo, Afonso Bevilaqua, Mario Mesquita e Carlos Hamilton Araújo, todos ex-diretores da autoridade monetária nos últimos doze anos.

    Muitos analistas têm afirmado que, por se tratar de quadros técnicos, a área econômica deve incorporar titulares que ocuparam postos, ainda que secundários, nos governos do ex-presidente Lula e da presidente Dilma. A novidade agora seria a mudança de enfoque, abrindo espaço para quadros com formação mais liberal. Um dos especialistas que concordam com essa tendência é Celso Toledo, sócio da E2 Economia. Estratégia para quem Temer sinaliza uma mudança de orientação da política econômica e para dar substância indica nomes que são associados a essa orientação. 

    "Esses nomes não são novos, são figuras conhecidas do mercado e isso justamente para provocar um choque favorável de expectativas. Os nomes indicados para o Banco Central são de ex-diretores em um período recente. São todos economistas que acreditam numa linha liberal, em um combate ferrenho às pressões inflacionárias e um ministro da Fazenda que entraria com a missão de promover uma mudança na política fiscal. Essa tem sido a sinalização do Temer."

    Se o afastamento da presidente Dilma se confirmar após os 180 dias que ficará longe da presidência enquanto o Senado analisa os fundamentos das ações impetradas contra ela por crime de responsabilidade fiscal, não havendo convocação de eleições e Temer permanecendo no cargo até dezembro de 2018, Toledo acredita que a gestão de Temer não terá tempo hábil para promover grandes alterações na economia no que diz respeito a mudanças importantes, como, por exemplo, na legislação trabalhista e em mudanças na Previdência. O foco, segundo o especialista, recairá sobre a necessidade de equilíbrio das contas públicas e do ajuste fiscal.

    "É impossível promover um ajuste fiscal sem uma combinação de corte de gastos e aumento de impostos. O governo até agora vinha fazendo bondades. Quando você faz bondades, o Congresso vai aceitando. Agora é hora de fazer 'maldades', e é preciso observar se ele (Temer) tem a capacidade de tocar para frente isso. Esses discursos políticos na verdade não fecham. Outra coisa é a habilidade que ele tem de dar uma coisa aqui, tirar outra de lá. Se ele for bem sucedido, veremos uma combinação de aumento de impostos, embora a gente não saiba quais, provavelmente um corte modesto de gastos no curto prazo e um encaminhamento bem feito de reformas que tenham impacto a longo prazo."

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    Tags:
    ministérios, impeachment, Ministério da Fazenda, Michel Temer, Brasília
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