04:42 22 Outubro 2020
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    Ex-espião do serviço de inteligência israelense Mossad aposentado fala sobre sua influência dentro do governo egípcio, e sobre informação que revelou a Israel.

    Embora Ashraf Marwan, conhecido como um dos valiosos trunfos da inteligência israelense sob o codinome Anjo, tenha morrido em circunstâncias suspeitas em Londres há anos, especulações sobre seu trabalho continuam, incluindo alegações de que ele era um agente duplo. O controle que o dirigiu durante décadas está agora lançando luz sobre sua história.

    Um funcionário aposentado do serviço de inteligência israelense Mossad refutou em uma entrevista ao jornal Haaretz as alegações de que o assistente do ex-presidente egípcio Anwar Sadat, Ashraf Marwan, que passou informações para Tel Aviv durante anos, era um agente duplo.

    O homem de 85 anos, que pediu para esconder sua identidade e foi apresentado no artigo como Dubi, agiu como um manipulador do valioso influente no topo do sistema egípcio, e o encontrou regularmente.

    Dubi descreve o espião como confidente e mediador do presidente egípcio com os chefes das inteligências saudita e líbia, sendo "um irmão" do governante líbio Muammar Kadhafi.

    Como o ex-funcionário da Mossad confirmou, Marwan primeiro contatou Israel. No entanto, seus motivos permaneceram desconhecidos, e isso incomodou os militares de Tel Aviv, de acordo com Dubi, que explicou que "o pessoal da inteligência não gosta de voluntários, desconfia deles". Como Dubi sugeriu, o agente egípcio "queria dinheiro e muito".

    Como Dubi lembra, seu agente recebeu quantias inéditas de dinheiro por cada vez que forneceu informações, algo próximo a 100 mil dólares. Depois de enriquecer com negócios de armas, no entanto, ele deixou de aceitar dinheiro.

    "Estou grato pelo que fizeram por mim, mas agora tenho minha própria segurança. Eu não quero ser seu empregado assalariado, e de agora em diante eu vou fazer isso voluntariamente, por amizade", disse ele a Dubi na época.

    Bomba da Guerra do Yom Kippur

    Uma das joias entregue por Marwan foi o aviso sobre a próxima Guerra do Yom Kippur em 1973 entre Israel e a união das nações árabes. Dois dias antes de eclodir em 6 de outubro de 1973, Marwan teria contatado os israelenses por telefone e dito em um código especial, usado devido ao seu diploma em química, "Químicos", acrescentando "Muitos produtos químicos, muitos", que se referiam à guerra que estava se aproximando. O então chefe da Mossad Zvi Zamir, Dubi e Marwan concordaram em se encontrar em Londres.

    A transcrição ou detalhes da conversa não podem ser revelados, mas Dubi transmitiu o espírito do encontro. Enquanto Zamir preferia perguntar sobre a união tripla do Egito, Líbia, Síria e os planos dos terroristas palestinos, o Anjo estava impaciente: "Vamos falar sobre a guerra."

    Segundo Dubi, o "Anjo" também explicou que a data para o início foi escolhida devido a um feriado em Israel, e acrescentou que os egípcios planejavam atravessar o canal de Suez para o Sinai. Ele também revelou que a chance de guerra era de 99%, e disse que a campanha deveria começar ao pôr do sol, o que mais tarde acabou sendo revelado como falso.

    Esta informação foi passada à liderança israelense e à primeira-ministra Golda Meir. Alguns líderes israelenses, incluindo o ministro da Defesa Moshe Dayan e generais das Forças de Defesa de Israel, supostamente prestaram pouca atenção ao seu aviso. Além disso, as forças árabes lançaram sua ofensiva mais cedo do que presumivelmente foi planejado.

    Preço da inteligência

    Como sugere o relatório do Haaretz, passar esta informação de inteligência custou muito a Marwan. Segundo Zamir, o ex-chefe da inteligência militar, general Eli Zeira, agiu para tornar público o nome do Anjo em 2002, cinco anos antes da misteriosa morte de Marwan, quando ele foi encontrado morto no jardim debaixo de seu apartamento em Londres.

    Zeira, que previu uma "baixa probabilidade" de guerra na manhã de 6 de outubro, foi um "dos principais provedores" da teoria de que Marwan era um agente duplo, uma afirmação que Dubi nega, defendendo o seu influente.

    "Marwan relatou na madrugada entre sexta-feira e sábado que a guerra iria irromper ao pôr do sol. Ele não sabia que Sadat tinha deslocado a hora de abertura para as 14 horas, como Assad tinha pedido a ele alguns dias antes. E em todo caso, essas quatro horas teriam mudado alguma coisa?", argumentou.

    Ele também acusou Zeira de mentir. Este último insiste que Marwan não informou sobre a reunião de Sadat e do rei saudita Feisal em Riad para pedir ajuda financeira e a imposição de um embargo petrolífero.

    "Isso é uma mentira. Zeira está mentindo, e como, apenas para se absolver da responsabilidade e impô-la à Mossad. Conheci Marwan depois da reunião de Riad e, com os meus próprios olhos, vi o material que ele nos transmitiu sobre essa reunião", disse o agente aposentado ao Haaretz.

    O general aposentado, porém, se recusou a comentar as acusações.

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    Tags:
    Egito, Israel, Mossad
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