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    O chanceler nicaraguense destacou que nessa campanha "as tecnologias de comunicação e informação estão a ser muito utilizadas para desestabilizar" os Estados e governos da América Latina e do Caribe.

    Os EUA e os países da União Europeia (UE) realizam uma campanha que visa desestabilizar a situação na América Latina, declarou o chanceler da Nicarágua, Denis Moncada, em conversa com a Sputnik.

    "Estamos vendo que há muita atividade em alguns países, principalmente nos EUA e em alguns países da UE, com o objetivo de desestabilizar países da América Latina, Caribe e também de outros continentes", afirmou o ministro nicaraguense.

    O chanceler destacou que nessa campanha "as tecnologias de comunicação e informação estão a ser muito utilizadas para desestabilizar" os governos.

    Acordo Nicarágua-Rússia

    Dessa forma, Moncada destacou a necessidade de medidas bilaterais e multilaterais para lidar com essas políticas, a fim de "evitar que as ações de alguns Estados, que são interferentes e interventores, influenciem este campo para desestabilizar, criar um mundo de informações falsas e deturpadas, destinadas a desacreditar Estados, governos e criar condições para uma mudança de regime".

    Contrapor essas atividades, disse o chanceler, é um dos objetivos do acordo entre os governos da Nicarágua e da Rússia "na colaboração para garantir a segurança da informação internacional", que Moncada assinou na segunda-feira (19) em Moscou com seu homólogo russo, Sergei Lavrov.

    O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov (D) e o seu homólogo da Nicarágua, Denis Moncada, participam de reunião em Moscou em 19 de julho de 2021
    © AFP 2021 / SERGEI ILNITSKY
    O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov (D) e o seu homólogo da Nicarágua, Denis Moncada, participam de reunião em Moscou em 19 de julho de 2021

    Conspiração dos EUA

    Os cerca de 1.300 exilados nicaraguenses na Costa Rica que saíram às ruas no domingo (18) para protestar contra o governo de Daniel Ortega são pessoas enganadas por uma conspiração planejada pelos EUA, declarou o ministro das Relações Exteriores da Nicarágua.

    "Há uma espécie de conspiração das grandes potências ocidentais, lideradas pelos EUA, para mudanças de regime ou revoluções de cor, visando consolidar sua hegemonia internacional, o controle dos Estados com base nos interesses geopolíticos e estratégicos dos EUA e de países da UE", garantiu o chanceler.

    Os países que fazem parte dessa trama, acrescentou Moncada, "usam um desenho de propaganda com muito investimento financeiro, da ordem de muitos milhões, e podem atrair pessoas que se prestam a informações falsas […]. A verdade é que os EUA e alguns países europeus não apoiam que outros países da América ou do mundo possam desenvolver suas políticas internas com autonomia, com independência e o exercício soberano desses países e com programas de políticas internas que visem beneficiar a população".

    Questionado diretamente se considera que os exilados nicaraguenses na Costa Rica protestaram porque foram enganados por essa conspiração, Moncada afirmas que sim, "definitivamente" e que há um financiamento multimilionário de países desenvolvidos para criar grupos e fazer parecer que as demonstrações são espontâneas.

    Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, durante o 41º aniversário da Revolução Sandinista em Manágua, Nicarágua. Foto de arquivo
    © AFP 2021 / Cesar Perez/Presidência da Nicarágua
    Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, durante o 41º aniversário da Revolução Sandinista em Manágua, Nicarágua. Foto de arquivo

    Ainda assim, expandir relações com EUA

    Ao mesmo tempo, o ministro das Relações Exteriores da Nicarágua explica que o seu país está disposto a desenvolver suas relações com todos os países, inclusive os EUA, apesar de não concordar com sua política externa.

    "Na política externa somos muito abertos e gostamos de nos comunicar e ampliar as relações com todos os países, inclusive os EUA, com quem a Nicarágua tem uma relação comercial importante, é um dos primeiros mercados importadores de nosso país", comentou.

    Ao mesmo tempo, Moncada destacou que o governo de Daniel Ortega se opõe "às políticas agressivas" dos EUA, afirmando que não é possível concordar a destruição da Líbia, da Síria, do Iraque. "Ou com a agressão contra Cuba na semana passada, ou com a tentativa de golpe de Estado na Bolívia", esclareceu.

    Países ocidentais monopolizam vacinas

    De acordo com o chanceler da Nicarágua, há em alguns países ocidentais uma tendência de monopolizar as vacinas contra a COVID-19, evitando assim, "a socialização ou universalização do uso equitativo da vacina em todos os países do mundo".

    Produção de vacinas no Instituto Latino-Americano de Biotecnologia Mechnikov em Nicarágua
    © Sputnik / Denis Bolotsky
    Produção de vacinas no Instituto Latino-Americano de Biotecnologia Mechnikov em Nicarágua
    Denis Moncada sublinhou que a questão das vacinas contra o novo coronavírus "é uma urgência em todo o mundo neste momento", e, neste contexto, destacou a "boa cooperação" com a Rússia.

    A Nicarágua recebeu quatro lotes de vacinas russa Sputnik V, sendo que o mais recente lote chegou na sexta-feira (16). O chanceler da Nicarágua destacou que se trata de "uma quantidade significativa" e destacou que a Rússia "continuará a fornecer a vacina à Nicarágua".

    O ministro lembrou que a Nicarágua e a Rússia estão em negociações para lançar a produção de outra vacina russa contra a COVID-19, a CoviVac, no Instituto Latino-Americano de Biotecnologia Mechnikov instalado na capital nicaraguense Manágua.

    Este instituto fabrica vacinas contra a gripe e, segundo Moncada, "também é capaz de produzir a vacina contra COVID-19 [...] para a Nicarágua e para a região da América Latina e da América Central […]. Há uma boa disposição por parte da Federação da Rússia de materializar e implementar os acordos que chegaremos nas diferentes áreas, inclusive em vacina", conclui Moncada.

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    Tags:
    Daniel Ortega, Sergei Lavrov, Caribe, América Latina, União Europeia, EUA, Rússia, Nicarágua
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