21:08 12 Dezembro 2019
Ouvir Rádio
    Cédulas de dólar

    Guerra comercial entre EUA e China pode custar US$ 600 bilhões à economia global

    Marcello Casal Jr/Agência Brasil
    Mundo
    URL curta
    340
    Nos siga no

    Quem quer que vença a amarga disputa comercial entre as duas maiores economias mundiais – os EUA ou a China –, as consequências deverão se estender muito além, podendo eliminar até US$ 600 bilhões (R$ 2,41 trilhões) do Produto Interno Bruto (PIB) global, de acordo com uma previsão da Bloomberg.

    Representantes comerciais de Washington e de Pequim acalmavam os mercados quando indicavam que estavam à beira de um acordo, antes que a guerra comercial reacendesse duas semanas atrás.

    Depois que os dois lados introduziram altos aumentos de tarifas, o conflito comercial se transformou em uma guerra tecnológica, à medida que a administração Trump colocou na lista negra a Huawei, gigante chinesa das telecomunicações, e vem pressionando seus aliados estrangeiros a abandonar os equipamentos 5G da companhia.

    Tensões comerciais que já estão em alta ainda têm espaço para aumentar. Por exemplo, as tarifas podem ser expandidas para todo o comércio entre os Estados Unidos e a China, arrastando os mercados para baixo. Tal cenário custaria ao PIB global cerca de US$ 600 bilhões quando o impacto atingir seu pico em 2021, alertam os economistas da Bloomberg Dan Hanson e Tom Orlik.

    Mesmo sem o conflito comercial, a produção na China e nos EUA cairia 0,5% e 0,2%, respectivamente, enquanto a produção global cairia cerca de 0,3% em cerca de dois anos.

    No entanto, a briga é contínua e nenhum lado está disposto a renunciar a suas posições, com cada um esperando que o rival finalmente faça concessões. Enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, reitera que os EUA estão em "uma posição muito boa" contra a China, Pequim diz que tem alguns trunfos próprios e está indicando que não está disposto a comprometer seus "interesses centrais".

    As tensões aumentadas podem resultar em tarifas sobre todas as importações bilaterais em vez de grupos de produtos. Dada a possibilidade de aumento das tarifas para 25%, a produção mundial pode cair 0,5%, enquanto a produção dos EUA e da China pode cair 0,5% e 0,8%, segundo os analistas.

    Os mercados financeiros, já sensíveis à guerra comercial EUA-China, deverão ser arrastados para baixo, já que um cenário de pesadelo inclui uma queda de 10% no mercado acionário, que acabaria afetando o consumo e o investimento, além do aumento das tarifas. Isso levaria a uma queda de 0,6% no PIB global, enquanto a China e os EUA perderiam 0,9% e 0,7%, respectivamente.

    Muitos analistas já previram que o comércio global pode ser vítima do jogo de tarifas. Contribuições adicionais dos EUA para produtos chineses exacerbam "a incerteza no ambiente de comércio global" e o crescimento ainda mais lento, informou a agência Moody's no início deste mês. O Fundo Monetário Internacional (FMI) também alertou sobre as consequências das tensões comerciais, advertindo que isso vai "colocar em risco" o crescimento global de 2019, minar a confiança e aumentar os preços para os consumidores.

    Mais:

    Banir a Huawei é '10 vezes mais importante' do que acordo com a China, diz Bannon
    Sobrou para o Brasil: guerra das telecomunicações EUA-China já causa efeitos colaterais
    Como Nova Rota da Seda impulsionará crescimento da China nos próximos 40 anos?
    Tags:
    disputa comercial, tarifas, relações bilaterais, diplomacia, economia, comércio, Huawei, Bloomberg, Moody's, FMI, Tom Orlik, Dan Hanson, Donald Trump, Estados Unidos, Mundo, China
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar