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    A staff worker walks past the national flags of Brazil, Russia, China, South Africa and India before a group photo during the BRICS Summit at the Xiamen International Conference and Exhibition Center in Xiamen, southeastern China's Fujian Province, China September 4, 2017

    Especialista: BRICS poderia ser plataforma para mediar crise na Venezuela

    © REUTERS / Wu Hong/Pool
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    Durante toda a semana que se encerra, Curitiba sediou a primeira reunião de 2019 do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), e a crise na Venezuela, apesar de não estar na pauta, foi abordada.

    O encontro preparatório para a 11ª Cúpula do grupo, que acontecerá em Brasília em novembro, contou com ministros das Relações Exteriores e altos funcionários das chancelarias dos países do bloco. 

    A crise da Venezuela foi levada aos representantes dos países do BRICS pelo Brasil. Enquanto o Brasília apoia a oposição e o autoproclamado presidente Juan Guaidó, a Rússia e a China são os principais apoiadores do governo de Nicolás Maduro.

    Denilde Holzhacker, professora de Relações Internacionais da ESPM-SP, conversou com a Sputnik Brasil sobre o tema e afirmou que Brasil tem se mostrado muito ativo em relação à crise no paíse vizinho e que tenta buscar mais apoio também da Índia e da África do Sul, que teriam se posicionado até então com cautela.

    "Brasil entendeu que esse é um fórum importante para colocar a questão e tentar, se não conseguir o apoio da China e Rússia, buscar uma flexibilização desses dois países e um apoio maior à oposição", disse a especialista.

    A Rússia, inclusive, no final da reunião, se declarou pela paz na América Latina, o que, segundo a professora, pode ser uma "abertura para início de uma negociação".

    Para Holzhacker, apesar da Venezuela ser um ponto de discordância, a agenda do bloco é muito ampla e a apresentação do tema não deve prejudicar as conversações. No entanto, certamente os países do BRICS estão atentos para as mudanças no governo do Brasil e ainda buscam entender para onde Brasília está caminhando na arena internacional.

    "O bloco ainda está tentando entender a política externa do governo Bolsonaro" afirmou. "Mas esse ainda é um espaço de diálogo importante", acrescentou.

    "A discussão sobre Venezuela é um reflexo de uma nova posição do Brasil e de sua prioridade à aliança com os Estados Unidos", alertou a professora. No entanto, ainda é necessário acompanhar os processos em curso para observar se essa aliança será em detrimento dos blocos regionais ou se ainda há espaço para o multilateralismo no Itamaraty.

    "De qualquer forma, se o Brasil conseguir levar esse debate sobre Venezuela para o BRICS", concluiu a professora, "e transformar o bloco em um mediador, a façanha diplomática seria impressionante e poderia compor o início de uma solução para a crise".

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