12:49 22 Maio 2018
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    Bandeira independentista da Catalunha

    Contagem que soma 100,88%: os motivos para não confiar no referendo catalão (FOTOS)

    © REUTERS / Susana Vera
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    Até os partidários mais fieis da independência têm que reconhecer a falta de legitimidade de uma consulta que não podia reunir garantias suficientes.

    Anulação jurídica realizada pelo Tribunal Constitucional, forte pressão policial exercida sobre a organização e o desmantelamento logístico consequente esvaziaram praticamente toda a força representativa da consulta.

    Assim, quais são as fraquezas que estipularam o fracasso do referendo?

    Recenseamento

    A intervenção nas bases de dados informáticos por parte das forças de segurança da Espanha dificultou gravemente o acesso ao recenseamento eleitoral. Em alguns centros foi realizada uma prática tão rudimentar como anotar com a mão o número de Documento Nacional de Identidade (DNI) dos que chegaram para votar. Este problema técnico permitiu situações alarmantes e imagens como as de pessoas que demonstraram ter votado várias vezes.

    Sem envelopes

    Em muitas seções eleitorais a polícia confiscou material abundante e os envelopes escassearam. Por isso, muitas pessoas tiveram que votar sem eles. A função de envelopes é reforçar as garantias: que haja uma única cédula e que o voto é secreto. Caso apareçam duas ou mais cédulas dentro do envelope, elas são anuladas. Sem envelopes, dá para se aproveitar da falha de supervisão para colocar na urna mais que uma cédula.

    Contagem

    As autoridades catalãs contaram mais de 100% de votantes no referendo pela independência da região da Espanha. De acordo com Jordi Turull, representante oficial da Generalitat, pela separação da Catalunha votaram 90,09% dos participantes do referendo, 7,87% votaram contra, 2,03% de cédulas eleitorais não foram preenchidos e outros 0,89% foram qualificados de nulos, fazendo com que a soma total dê 100,88%, o que supera o número máximo.

    Anúncio de Puigdemont

    O presidente da Generalitat, Carles Puigdemont, nem mesmo esperou para ficar sabendo os resultados do referendo para anunciar o passo seguinte de sua agenda, deixando claro que a essência dessa jornada eleitoral tinha um caráter mais simbólico que de uma verdadeira consulta democrática. Essa relativização de números de contagem, é implicitamente um reconhecimento da escassez quase absoluta das garantias da votação.

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    Tags:
    Referendo de Independência na Catalunha, Catalunha, Espanha
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