00:05 25 Novembro 2017
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    Míssil iraniano de longo alcance, foto de arquivo

    Teerã e Pyongyang estreitam cooperação perante 'inimigo comum'

    © AP Photo/ Amir Kholousi, ISNA via AP
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    Em meio à escalada de sanções norte-americanas contra o Irã e a Coreia do Norte, o presidente da Assembleia Popular Suprema (parlamento) do país asiático, Kim Yong-nam, está realizando uma visita de 10 dias a Teerã.

    O alto funcionário norte-coreano assistiu à cerimônia de posse do presidente iraniano, Hassan Rouhani, que prestou juramento para seu segundo mandato. Espera-se que no resto do tempo da visita os representantes de Pyongyang e Teerã discutam o comércio bilateral, assim como uma maior cooperação na esfera técnico-militar.

    Nomeadamente, o presidente do Parlamento do Irã, Ali Larijani, mencionou a escalada da tensão na Península da Coreia após, em 28 de julho passado, Pyongyang ter realizado o lançamento de um míssil balístico alegadamente intercontinental, que, segundo as autoridades norte-coreanas, tem a capacidade de alcançar o território dos EUA.

    "Um estado de caos no mundo não será vantajoso para nenhum país e prejudicará todos […] As armas nucleares prejudicam todos os países e a República Islâmica apoia [o uso pacífico] da energia nuclear", disse Ali Larijani citado pelo HispanTV.

    Por sua vez, Kim Yong-nam sublinhou que tanto a Coreia do Norte como o Irã partilham um inimigo comum, ou seja, os EUA, país que, segundo ele, está seguindo e seguirá sua política de intimidação.

    Matthew Bunn, professor da Escola de Administração Pública John F. Kennedy (Harvard Kennedy School) e especialista em temas de proliferação nuclear, concorda com esta posição.

    "Tanto os norte-coreanos como os iranianos estão sentindo uma séria ameaça proveniente dos EUA e em geral do Ocidente e, mesmo sendo países muito diferentes, enfrentam uma situação similar", explicou o professor ao canal CNBC.

    Recentemente, o diretor da CIA, Mike Pompeo, revelou em um discurso que a Aliança de Inteligência e Segurança Nacional (INSA, na sigla em inglês) dos EUA tinha "criado dois novos centros de missão focados em cravar um punhal no coração do problema norte-coreano e iraniano".

    A Coreia do Norte realizou dois lançamentos de mísseis balísticos supostamente intercontinentais (ICBM) no mês de julho. O Irã poderá entrar no clube de países com capacidades ICBM em poucos anos, o que foi demonstrado pelo recente e bem-sucedido lançamento do Simorgh, um foguete portador de sua própria produção.

    "De fato, acredita-se que as primeiras gerações de mísseis iranianos são basicamente mísseis norte-coreanos modestamente adaptados", afirma Matthew Bunn.

    Por exemplo, os mísseis iranianos de médio alcance Shahab-3, capazes de atingir a Arábia Saudita, poderiam estar baseados na tecnologia dos foguetes Nodong-1, de produção norte-coreana. No entanto, Matthew Bunn afirma que não tem certeza de que atualmente exista uma cooperação na área de armas nucleares entre os dois países, mas não descarta tal possibilidade no futuro.

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    Tags:
    ameaça, inimigo, tecnologia militar, cooperação bilateral, Kim Yong-Nam, Ali Larijani, EUA, Coreia do Norte, Irã
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