18:14 24 Setembro 2017
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    Foto do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, entre bandeiras do país, em Istambul, dois dias antes do referendo de 16 de abril de 2017

    Sistemas S-400 e nova Rota da Seda: Turquia se vira cada vez mais para Rússia e China

    © REUTERS/ Alkis Konstantinidis
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    Os ministros das Relações Exteriores da China e da Turquia, Wang Yi e Mevlut Cavusoglu, se reuniram em Pequim e concordaram em reforçar a cooperação no combate ao terrorismo.

    Durante a reunião, o ministro das relações Exteriores da Turquia anunciou que "Turquia considera a segurança da China como se fosse a própria". Cavusoglu prometeu que nenhuma organização em  território turco terá liberdade de se envolver em atividades que ameaçam os interesses, a integridade e a soberania territorial chinesa.

    Ahmet Gendjehan Babish, diretor do Centro Turco de Estudos Estratégicos, disse em entrevista à Sputnik que essas declarações podem apontar para uma nova direção geopolítica considerada pela Turquia.

    "Em primeiro lugar, vale observar que a visita de Mevlut Cavusoglu à China foi realizada à luz de uma forte deterioração das relações entre a Turquia, UE e os EUA. Não há como não se perguntar se Ancara estaria considerando o vetor Rússia e China como uma alternativa para Europa e EUA", disse Babish.

    O especialista também notou que Cavusoglu, em seus discursos em Pequim, enfatizou o fortalecimento da cooperação na área de segurança.

    Como a Organização de Cooperação de Xangai (SCO) é um tratado de segurança coletivo, seria valido supor que a política externa turca esteja ampliando as suas interações com a organização.

    "A SCO, ao contrário da UE, que coloca em primeiro plano os conceitos como direitos humanos e democratização, concentra-se principalmente em questões de segurança nas fronteiras, cooperação econômica e política", explicou Babish.

    De acordo com o especialista, os atuais problemas entre a Turquia e o Ocidente se revelaram, em grande parte, graças às diferenças na interpretação do conceito dos direitos humanos e da democratização.

    "No entanto, com a SCO esse tipo de problema inexiste, o que torna essa estrutura muito mais atraente para Ancara", acrescentou.

    O analista disse ainda que, apesar de tudo isso, a Turquia ainda faz parte da OTAN e está integrada no sistema de defesa aérea da aliança.

    No entanto, Turquia está negociando a compra do sistema de defesa aérea russo S-400. Se esse contrato for assinado, Ancara se aproximaria mais um passo da SCO.

    Em julho, o CEO da Corporação Rostec, Sergei Chemezov, disse que as questões técnicas do contrato para o fornecimento dos sistemas S-400 à Turquia foram resolvidas, restando apenas restrições administrativas.

    O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, no final de julho, anunciou que Ankara e Moscou assinaram um acordo guarda-chuva para permitir o fornecimento dos sistemas S-400 Triumf.

    Além dos sistemas de defesa aérea, Turquia também está interessada em participar do projeto chinês da nova Rota da Seda.

    De acordo com Babish, "Rússia e Turquia estão empreendendo projetos conjuntos colossais no setor de energia". 

    "Além disso, as relações humanas, de comércio e de turismo também estão crescendo. A reunião [com o ministro chinês] também levantou o tema da construção de uma terceira usina nuclear na Turquia, que Ancara pretende construir em conjunto com Pequim", destacou.

    O interlocutor da agência enfatizou que tudo isso aponta para o fato de que a Turquia está se aproximando dos países membros da SCO e que "está abrindo novas perspectivas no quadro da sua interação com a Organização de Cooperação de Xangai", concluiu.

    Tags:
    relações internacionais, política internacional, cooperação, Organização de Cooperação de Xangai (SCO), Gendjehan Babish, China, Rússia, Turquia
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