08:41 19 Outubro 2017
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    Fuzileiros navais dos EUA durante treinamentos na Noruega (foto de arquivo)

    Cavernas de vikings: o que escondem os militares norte-americanos na Noruega

    CC0 / Flickr/Governo do EUA/Staff Sgt. Steve Cushman
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    Durante a recente linha direita, o presidente russo Vladimir Putin mencionou os submarinos norte-americanos que cumprem suas missões perto da costa norueguesa e representam uma ameaça para a Rússia.

    Hoje em dia, a Noruega atrai cada vez mais a atenção dos militares russos, tanto pelos submarinos dos EUA, como por suas atividades na OTAN.

    Cavernas de vikings e tanques americanos

    Há poucos dias, se tronou conhecido que o Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos e a Noruega podem duplicar e até triplicar os estoques de armamentos e munições, guardados em seis cavernas da Noruega desde a Guerra Fria, inclusive para o caso de haver uma guerra com a Rússia. Além disso, os EUA têm ao seu dispor dois aeródromos no centro do país. O equipamento é utilizado ativamente nos treinamentos da OTAN e também em operações no Oriente Médio ou Afeganistão.

    Até hoje, nas cavernas estava guardado tudo o necessário para equipar 4.600 fuzileiros navais, mas agora os EUA querem aumentar os estoques suficientes para uma brigada de 8-16 mil homens. Ainda por cima, são cada vez mais frequentes os treinamentos dos militares norte-americanos com seus colegas noruegueses. Desde janeiro último, o Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos mantém nos armazéns noruegueses 300 fuzileiros navais.

    Até fim do ano, os norte-americanos irão decidir o que e em que quantidade guardar nos armazéns, e depois o governo da Noruega deve permitir ou não aumentar estes estoques.

    Radares, mísseis, submarinos

    Antes, as marinhas da Noruega e da Rússia realizavam treinamentos conjuntos, mas tudo mudou em 2014, quando a Noruega aumentou de modo radical sua cooperação militar com os EUA.

    Em 2015, as autoridades do país expressaram sua disponibilidade para participar da criação do sistema de defesa antimíssil da Europa e instalar em seu território instalações deste sistema, inclusive um radar norte-americano na ilha de Vardo, perto da fronteira com a Rússia, que fica apenas a 40 milhas (64,3 km).

    Na semana passada, o jornal norte-americano New York Times informou que está sendo desenvolvida ativamente a construção do novo radar dos EUA, Globus 3, que permitirá vigilar os mísseis lançados por submarinos russos.

    Cais perto de uma aldeia de pescadores, na Noruega
    © Sputnik/ Vladimir Vyatkin
    Cais perto de uma aldeia de pescadores, na Noruega

    De acordo os noruegueses, o novo radar é uma modernização do sistema já existente destinado a monitorar o lixo espacial e destroços de satélites quebrados, enquanto os americanos afirmam que ele serve para interceptar mísseis de longo alcance iranianos.

    No entanto, o ex-prefeito de Vardo e veterano da inteligência militar norueguesa, Lasse Haughom, é mais sincero: "Este lugar é muito importante para os EUA e o Ocidente, pois daqui se pode monitorar as ações da Rússia."

    Além do radar norte-americano já mencionado, a Noruega está modernizando os sistemas de defesa antimíssil nas bases militares de Orland e Evenes, onde ficarão baseados 52 caças F-35. Nesta última base também serão instalados cinco novos aviões de patrulha antissubmarino P-8 Poseidon, que irão vigilar os submarinos russos.

    Passo a passo, a Noruega e os EUA continuam aumentando suas capacidades militares na região, e a Rússia não tem como deixar de responder. Ninguém quer chamar a este processo de "militarização" ou de "nova guerra fria", mas, de fato, os países se estão envolvendo em outra corrida armamentista.

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    Tags:
    base militar, corrida armamentista, Marinha dos EUA, EUA, Noruega
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