12:26 06 Dezembro 2019
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    Manifestantes pedem respeito ao meio ambiente um dia antes da COP 21 em Paris

    Por que saída dos EUA do Acordo de Paris deve preocupar o mundo?

    © REUTERS / Alessandro Bianchi
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    A imprensa norte-americana noticiou nesta qurta-feira que o presidente do país, Donald Trump, teria tomado a decisão de deixar o Acordo de Paris, medida histórica acertada em 2015 e que visa a redução das emissões de gases tóxicos na atmosfera.

    Para quem não se recorda, o acordo de 22 de abril de 2015 deu origem a um documento histórico, de importância global, ratificado por 147 países – estes responsáveis por 80% das emissões em todo o planeta.

    De acordo com o acordo, os países responsáveis por 55% das emissões uma redução, mantendo assim o aumento da temperatura média global em menos de 2ºC sobre os níveis pré-industriais, buscando restringir o aumento das temperaturas a 1,5ºC.

    Além disso, o documento estipula que os países desenvolvidos precisam desembolsar pelo menos US$ 100 milhões por ano, a partir de 2020, para ajudar as economias emergentes a fazer frente às consequências das mudanças climáticas, com um possível aumento do valor após esse ano inicial de investimentos.

    À época, o então secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, classificou o acordo como “um êxito monumental para a população e para o nosso planeta”, já que representa um fundamento para “extinguir a pobreza, alcançar a paz e assegurar uma vida sustentável a todos”. Representou ainda um “ponto de inflexão” aos esforços para “reduzir as ameaças relacionadas às mudanças climáticas”.

    Apesar de todos os argumentos expostos por autoridades de diversas nações, o republicano Donald Trump sempre refutou o Acordo de Paris. Desde a sua campanha eleitoral, no ano passado, o atual presidente dos EUA dizia que o tema era uma “farsa chinesa”.

    Tanto China quanto os Estados Unidos são os maiores emissores de gases do planeta, e o Acordo de Paris só foi possível com a concordância dos dois países. porém Trump refuta todos os dados científicos conhecidos para fazer suas ponderações sobre o assunto.

    O atual diretor da Agência de Proteção Ambiental norte-americana é Scott Pruitt, conhecido oponente de regulações ambientais nos tempos do governo do democrata Barack Obama. Ele é outro a não acreditar que exista de fato uma mudança climática em andamento.

    Em outra frente, ele impulsionou dentro do seu país a indústria do carvão e do gás, diminuindo ainda investimentos em energias limpas. Assim, não surpreendeu o fato de Trump não se posicionar sobre o Acordo de Paris na semana passada, durante o encontro do G7 na Itália. Para os demais líderes mundiais, parecia apenas questão de tempo.

    Além de indignação na comunidade científica e política mundial, a decisão do presidente dos EUA em retirar o país mais poderoso do mundo do acordo não apenas rompe mais uma iniciativa da era Obama, mas também acena ao mundo que o aquecimento global não é uma prioridade para a Casa Branca, o que pode custar caro.

    Em abril, milhares de pessoas marcharam nos EUA contra o indicativo de que Trump deixaria o acordo. “Não temos um planeta B”, “A mudança climática é real” e “Não há trabalho em um planeta morto” foram apenas algumas das frases escritas em cartazes de manifestantes. Até mesmo a petroleira Exxon Mobil pediu que Trump não refutasse o documento.

    Por sua vez, o secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, afirmou que o abandono do acordo poderia minar a segurança nacional e a economia dos EUA. Ele também alertou que, se um país decide deixar um vazio, “alguém o ocupará”. A este respeito, Guterres explicou que países como a Rússia, China, Arábia Saudita, Irã e Turquia poderiam buscar uma maior influência, se os EUA confirmarem a sua retirada.

    Ao mesmo tempo, Guterres deu a entender que o pacto irá sobreviver ao eventual partida de Washington. O tempo dirá se a previsão foi acertada. Já o equívoco do presidente dos EUA parece mais do que certo.

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    Tags:
    meio ambiente, efeito estufa, emissão de gases, clima, Acordo de Paris, ONU, Donald Trump, Paris, Europa, China, Estados Unidos
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